Life
in my classroom was a constant battle whether I wanted to acknowledge it or
not. Not only with the children but with myself. To cope with these
youngsters from day to day I locked up
my own emotions in many ways because I found that when I didn’t I became too
discouraged, too shocked, too disillusioned to function effectively. My days
were a constant shooing of my own fears back into the little corners where they
dwelled. The method worked for me but every once in a while a child came along
who could really rock my bulwark. Out came tumbling all the uncertainties, the
frustrations, and the misgivings I had so carefully tried to ignore and I
became overwhelmed with defeat.
Basically,
though, I was a dreamer. Beyond the children’s incomprehensible behavior and my
own vulnerability, beyond the discouragement, the self-doubts, soared a dream
which admittedly was seldom realized, a dream that things could change. And being
a dreamer, my dream died hard.
She
looked down again and then back at me. I remained silent. She took a cautious
step backwards to better survey the situation. “You gonna whip me?” she asked
hoarsely.
“No.
I don’t whip kids.”
Her
brow furrowed.
“I’ll
help you clean it up. We won’t have to tell anybody. It can be our secret,
because I know it was an accident.”
“I
didn’t mean to.”
“I
know it.”
“You
gonna whip me?”
My
shoulders dropped in exasperation. “No, Sheila, I don’t whip kids. said that to you once.”
She
looked at her overalls. “My Pa, he gonna whip me fierce when he sees I do
this.”
Torey Hayden
One Child
1980
«A outra imagem irrompe do modo como
Bento XVI se despediu dos Artistas, no final do seu discurso. Ao longo deste,
citou vários passos importantes dos magistérios anteriores; referiu
directamente Platão e Dostoievski, Georges Braque e Cyprian Norwid, Simone
Weil, Hermann Hesse e Hans Urs von Balthasar; aludiu a grandes vultos da
tradição iconográfica, como o Beato Angélico, Perugino, Botticelli,
Ghirlandaio, Cosimo Rosselli, Luca Signorelli e, claro, Michelangelo
Buonarroti. Ao escutar ou ao ler aquele discurso, percebemos estar perante uma
impressionante lição de sabedoria, tanto ao nível da cultura, como no plano
teológico e espiritual. Contudo o remate é desconcertante, pois é feito com
estas palavras: «Ao abençoar-vos de coração, saúdo-vos, como já fez Paulo VI,
com uma só expressão: até breve!» Este «até breve» representa uma intromissão
da linguagem do quotidiano numa ocasião de solenidade máxima. Num contexto claramente
extraordinário conclui-se adoptando uma marca verbal da experiência ordinária.
Digo que me comoveu esta transição, mais do que verbal, simbólica. A Igreja
aparece empenhada em construir uma convivência afectuosa e continuada, não
apenas uma ocasião pontual.
José Tolentino Mendonça
O Hipopótamo de Deus e Outros Textos
2010
Assírio & Alvim
Quem não receber o reino de Deus como
uma criança, não entrará nele.
Evangelho de Marcos
ano 60
A verdadeira arte é invariavelmente
universal e eterna e quem ler a tua antologia poderá reconhecer nesses versos
as suas próprias aspirações e experiências. Pergunto-me que conflitos a
antologia não terá provocado nos pensamentos e sentimentos da Mamã. A
felicidade e o orgulho devem ter sido abundantes. Mas deve haver momentos em
que a tua pena atinge as partes mais sensíveis do seu corpo, deixando-o trémulo
de dor e ansiedade, aumentando a amargura que deve sentir.
O abate da árvore e os frutos
espalhados pelo chão evocar-lhe-ão a pereira encantadora plantada perto da
janela do nosso quarto e as peras saborosas que produzia. Os seus sonhos devem
ter sido assombrados pela imagem de um lenhador impiedoso cuja profissão
consiste em destruir o que a natureza criou e cujo coração não se deixa comover
com o lamento de uma árvore que tomba, o quebrar dos ramos e o espalhar dos
frutos pelo chão.
Os filhos caídos no chão e eu sem poder
ir ao encontro deles! Ocorre-me de imediato o falecido Thembi e a pequena
Makaziwe I [a primeira] que há três décadas descansa em Croesus [cemitério].
Penso em todos vós e na infelicidade em que cresceram e em que têm de viver
agora. Não sei se a Mamã alguma vez vos falou do vosso irmão que morreu antes
de nascer. Era tão pequenino como um punho dos vossos quando vos deixei. Esse
bebé deixou-a destroçada.
...
Levei-a a correr ao médico da família e
ele mandou-a para o Coronation Hospital onde ficou internada durante vários
dias. Foi a sua primeira experiência extrema a seguir ao casamento e o
resultado da tensão terrível provocada pelo julgamento por alta traição que se
arrastou durante mais de quatro anos. «Uma árvore foi derrubada» recorda-me
todas estas situações dolorosas.
Mas a boa escrita pode também evocar os
momentos mais felizes das nossas vidas, trazer ideias nobres aos nossos
escaninhos mais recônditos, ao nosso sangue e às nossas almas. Pode transformar
a tragédia em esperança e triunfo.
Nelson Mandela a Zindzi Mandela,
10/02/1980
Uma árvore foi derrubada
por Zindzi Mandela
Uma árvore foi derrubada
e os frutos espalhados pelo chão
não pude conter o pranto
porque acabara de perder uma família
o tronco, o pai
os ramos, seu apoio
seguro
os frutos, a mulher e os filhos
a quem tanto queria
de sabor único
amoráveis como seria de esperar
lançados ao chão
as raízes, a felicidade
para sempre dele arrancada
Black As I Am é uma antologia de poemas
publicada quando Zindzi tinha 16 anos de idade, e que dedicou aos pais.
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