Saturday, 17 May 2014

balança













































Life in my classroom was a constant battle whether I wanted to acknowledge it or not. Not only with the children but with myself. To cope with these youngsters  from day to day I locked up my own emotions in many ways because I found that when I didn’t I became too discouraged, too shocked, too disillusioned to function effectively. My days were a constant shooing of my own fears back into the little corners where they dwelled. The method worked for me but every once in a while a child came along who could really rock my bulwark. Out came tumbling all the uncertainties, the frustrations, and the misgivings I had so carefully tried to ignore and I became overwhelmed with defeat.

Basically, though, I was a dreamer. Beyond the children’s incomprehensible behavior and my own vulnerability, beyond the discouragement, the self-doubts, soared a dream which admittedly was seldom realized, a dream that things could change. And being a dreamer, my dream died hard.



She looked down again and then back at me. I remained silent. She took a cautious step backwards to better survey the situation. “You gonna whip me?” she asked hoarsely.
“No. I don’t whip kids.”
Her brow furrowed.
“I’ll help you clean it up. We won’t have to tell anybody. It can be our secret, because I know it was an accident.”
“I didn’t mean to.”
“I know it.”
“You gonna whip me?”
My shoulders dropped in exasperation. “No, Sheila, I don’t whip kids.  said that to you once.”
She looked at her overalls. “My Pa, he gonna whip me fierce when he sees I do this.”

Torey Hayden
One Child
1980






«A outra imagem irrompe do modo como Bento XVI se despediu dos Artistas, no final do seu discurso. Ao longo deste, citou vários passos importantes dos magistérios anteriores; referiu directamente Platão e Dostoievski, Georges Braque e Cyprian Norwid, Simone Weil, Hermann Hesse e Hans Urs von Balthasar; aludiu a grandes vultos da tradição iconográfica, como o Beato Angélico, Perugino, Botticelli, Ghirlandaio, Cosimo Rosselli, Luca Signorelli e, claro, Michelangelo Buonarroti. Ao escutar ou ao ler aquele discurso, percebemos estar perante uma impressionante lição de sabedoria, tanto ao nível da cultura, como no plano teológico e espiritual. Contudo o remate é desconcertante, pois é feito com estas palavras: «Ao abençoar-vos de coração, saúdo-vos, como já fez Paulo VI, com uma só expressão: até breve!» Este «até breve» representa uma intromissão da linguagem do quotidiano numa ocasião de solenidade máxima. Num contexto claramente extraordinário conclui-se adoptando uma marca verbal da experiência ordinária. Digo que me comoveu esta transição, mais do que verbal, simbólica. A Igreja aparece empenhada em construir uma convivência afectuosa e continuada, não apenas uma ocasião pontual.

José Tolentino Mendonça
O Hipopótamo de Deus e Outros Textos
2010
Assírio & Alvim





Quem não receber o reino de Deus como uma criança, não entrará nele.

Evangelho de Marcos
ano 60





A verdadeira arte é invariavelmente universal e eterna e quem ler a tua antologia poderá reconhecer nesses versos as suas próprias aspirações e experiências. Pergunto-me que conflitos a antologia não terá provocado nos pensamentos e sentimentos da Mamã. A felicidade e o orgulho devem ter sido abundantes. Mas deve haver momentos em que a tua pena atinge as partes mais sensíveis do seu corpo, deixando-o trémulo de dor e ansiedade, aumentando a amargura que deve sentir.

O abate da árvore e os frutos espalhados pelo chão evocar-lhe-ão a pereira encantadora plantada perto da janela do nosso quarto e as peras saborosas que produzia. Os seus sonhos devem ter sido assombrados pela imagem de um lenhador impiedoso cuja profissão consiste em destruir o que a natureza criou e cujo coração não se deixa comover com o lamento de uma árvore que tomba, o quebrar dos ramos e o espalhar dos frutos pelo chão.

Os filhos caídos no chão e eu sem poder ir ao encontro deles! Ocorre-me de imediato o falecido Thembi e a pequena Makaziwe I [a primeira] que há três décadas descansa em Croesus [cemitério]. Penso em todos vós e na infelicidade em que cresceram e em que têm de viver agora. Não sei se a Mamã alguma vez vos falou do vosso irmão que morreu antes de nascer. Era tão pequenino como um punho dos vossos quando vos deixei. Esse bebé deixou-a destroçada.
...

Levei-a a correr ao médico da família e ele mandou-a para o Coronation Hospital onde ficou internada durante vários dias. Foi a sua primeira experiência extrema a seguir ao casamento e o resultado da tensão terrível provocada pelo julgamento por alta traição que se arrastou durante mais de quatro anos. «Uma árvore foi derrubada» recorda-me todas estas situações dolorosas.

Mas a boa escrita pode também evocar os momentos mais felizes das nossas vidas, trazer ideias nobres aos nossos escaninhos mais recônditos, ao nosso sangue e às nossas almas. Pode transformar a tragédia em esperança e triunfo.

Nelson Mandela a Zindzi Mandela, 10/02/1980



Uma árvore foi derrubada
por Zindzi Mandela

Uma árvore foi derrubada
e os frutos espalhados pelo chão
não pude conter o pranto
porque acabara de perder uma família
o tronco, o pai
os ramos, seu apoio
seguro
os frutos, a mulher e os filhos
a quem tanto queria
de sabor único
amoráveis como seria de esperar
lançados ao chão
as raízes, a felicidade
para sempre dele arrancada

Black As I Am é uma antologia de poemas publicada quando Zindzi tinha 16 anos de idade, e que dedicou aos pais.




     

















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