Friday, 9 May 2014

Esmagogia





buzinai-vos uns aos outros como Eu vos buzinei.
desse modo saberão que sois meus discípulos.





















no meu Barreiro operário de infância,
tudo quanto era Governo
era activamente odiado e ostensivamente ignorado
deputado do PS na edição de 07.05.2014 do Correio da Manhã



Mas não se considerará revolucionário o médico que combate a doença com insultos, mas sim aquele que investiga e combate, com calma, coragem e consciência, as causas da doença. A revolta fascista tem sempre origem na transformação de uma emoção revolucionária em ilusão, pelo medo da verdade.
O fascismo, na sua forma mais pura, é o somatório de todas as reacções irracionais do carácter do homem médio. O sociólogo tacanho, a quem falta coragem para reconhecer o papel fundamental do irracional na História da Humanidade, considera a teoria fascista da raça como mero interesse imperialista ou, ainda menos, como simples “preconceito”. O mesmo acontece com o politiqueiro irresponsável e palavroso: mas a violência e a ampla propagação desses “preconceitos raciais” são prova da sua origem no aspecto irracional do carácter humano. A teoria racista não é uma criação do fascismo. Pelo contrário: o fascismo é uma criação do ódio racial, e a sua expressão politicamente organizada. Por conseguinte, existe um fascismo alemão, italiano, espanhol, anglo-saxónico, judeu e árabe. A ideologia racista é uma expressão verdadeiramente biopática do homem orgasticamente impotente.
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A mentalidade fascista é a mentalidade do “Zé Ninguém” subjugado, sedento de autoridade e, ao mesmo tempo, revoltado.
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Só se pode vencer o fascismo, abordando-o com um conhecimento objectivo e prático bem fundamentado dos processos da vida. Ninguém o consegue imitar nas manobras políticas e diplomáticas e na ostentação. Mas o fascismo não tem resposta para os problemas práticos da vida porque vê tudo apenas como reflexo da ideologia ou sob a forma dos uniformes oficiais. Quando se ouve um indivíduo fascista de qualquer tendência insistir em apregoar a “honra da Nação” (em vez da honra do homem) ou a “salvação da sagrada família e da raça” (em vez da sociedade de trabalhadores), quando o fascista procura evidenciar-se, recorrendo a toda a espécie de chavões, pergunte-se-lhe apenas isto, com calma e serenidade: “Que fazes tu na prática, para alimentar esta Nação, sem arruinar outras Nações? Que fazes, como médico, contra as doenças crónicas, como educador, pelo bem-estar das crianças, como economista, contra a pobreza, como assistente social, contra o cansaço das mães da prole numerosa, como construtor civil, pela promoção da higiene habitacional? E agora, em vez da conversa fiada do costume, dá respostas concretas e práticas, ou então cala-te!”
Daqui se conclui que o fascismo internacional nunca será derrotado por manobras políticas. Mas sucumbirá perante a organização natural do trabalho, do amor e do conhecimento à escala internacional.
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Na minha qualidade de médico, cumpre-me curar doenças. De investigador, descobrir relações da natureza até aqui desconhecidas. Se me aparecesse um politiqueiro qualquer pretendendo forçar-me a abandonar os meus doentes e o meu microscópio, eu não me deixaria perturbar: punha-o na rua, se ele não desaparecesse voluntariamente. E depende não de mim ou do meu trabalho, mas do grau de atrevimento do intruso, que eu seja ou não forçado a recorrer à violência, para proteger dos intrusos o meu trabalho sobre a vida.

Wilhelm Reich
Psicologia de Massas do Fascismo, 1942
traduzido do Alemão por Maria da Graça Monteiro Macedo
Dom Quixote



Foi na reforma de Veiga Simão que tive professores notáveis
 como Hélia Correia e que descobri a democracia.





O DAS QUINAS

Os Deuses vendem quando dão.
Compra-se a glória com desgraça.
Ai dos felizes, porque são
Só o que passa!

Baste a quem baste o que lhe basta
O bastante de lhe bastar!
A vida é breve, a alma é vasta:
Ter é tardar.

Foi com desgraça e com vileza
Que Deus ao Cristo definiu:
Assim o opôs à Natureza
E filho o ungiu.

Fernado Pessoa
Mensagem, 1934


D. AFONSO HENRIQUES

Pai, foste cavaleiro.
Hoje a vigília é nossa.
Dá-nos o exemplo inteiro
E a tua inteira força!

Dá, contra a hora em que, errada,
Novos infiéis vençam,
A benção como espada,
A espada como benção!



D. DUARTE
Rei de Portugal

Meu dever fez-me, como Deus ao mundo.
A regra de ser Rei almou meu ser,
Em dia e letra escrupuloso e fundo.

Firme em minha tristeza, tal vivi.
Cumpri contra o Destino o meu dever.
Inutilmente? Não, porque o cumpri.



D: FERNANDO
Infante de Portugal

Deu-me Deus o seu gládio porque eu faça
A sua santa guerra.
Sagrou-me seu em honra e em desgraça,
Às horas em que um frio vento passa
Por sobre a fria terra.

Pôs-me as mãos sobre os ombros e doirou-me
A fronte com o olhar;
E esta febre de Além, que me consome,
E este querer grandeza são seu nome
Dentro em mim a vibrar.

E eu vou, e a luz do gládio erguido dá
Em minha face calma.
Cheio de Deus, não temo o que virá,
Pois, venha o que vier, nunca será
Maior do que a minha alma.







PADRÃO

O esforço é grande e o homem é pequeno.
Eu, Diogo Cão, navegador, deixei
Este padrão ao pé do areal moreno
E para diante naveguei.

A alma é divina e a obra é imperfeita.
Este padrão sinala ao vento e aos céus
Que, da obra ousada, é minha a parte feita:
O por-fazer é só com Deus.

E ao imenso e possível oceano
Ensinam estas Quinas, que aqui vês,
Que o mar com fim será grego ou romano
O mar sem fim é português.

E a Cruz ao alto diz que o que me há na alma
E faz a febre em mim navegar
Só encontrará de Deus na eterna calma
O porto sempre por achar.






New Moon


Feel So Different




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