«Não sou jurista. Nem socióloga. Tão-pouco sou psicóloga. Mas ando neste mundo e neste país há tempo suficiente para perceber que nos coube um papel significativo nestes resultados. Conseguimos, eventualtualmente pelas piores razões, estar na liderança de alguma coisa. OPÇÃO DIVÓRCIO. A única nota menos deprimente nesta questão revela que 90 por cento das dissoluções se deram por mútuo consentimento. Mais especificamente, metade dos casamentos realizados no nosso país acaba por se desfazer. Ou seja, em cada dois matrimónios, um deles «virou» divórcio. Face a este quadro, qual é, então, hoje, a situação da família portuguesa, sabendo-se que, cumulativamente com os aspectos atrás referidos, a taxa de natalidade está a diminuir? De facto, o salário feminino veio permitir-lhes encarar a sua subsistência económica sem subordinação ao marido. Melhor? Pior? Apenas diferente. Mas precisando, urgentemente, de ver consignadas na lei as alterações por que passou. E, também, de ver discutido o modelo familiar que, no futuro, se pretende ver adoptado. Mais laica, menos formal, mais miscelanizada, menos estratificada, enfim, mais aberta a agregados familiares de origens diversas. Com efeito, Portugal ocupa, neste momento, um dos primeiros lugares na taxa de «divorcialidade» europeia! Vale a pena referir que Madrid, com 5,4 milhões de habitantes - metade da população nacional -, registou, no mesmo período, 4006 separações. Estes são os números divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística, de que aliás a imprensa fez eco, em tempo oportuno. Frios e preocupantes. Ao nível urbano, a capital passou de 6000 separações para cerca de 9000. Mas o que é que eles de facto escondem? Ou, antes, o que é que eles traduzem? Finalmente, a contracepção livremente escolhida pela mulher, ao eximi-la de maternidades não desejadas, deu-lhe uma alforria e um controlo sobre o casal que anteriormente não detinha. Decerto, bastante diferente da dos tempos anteriores à revolução. A faixa etária dos trinta / quarenta anos é a mais atingida, e a duração média dos enlaces de risco situa-se entre os cinco e os nove anos. São, contudo, as uniões até quatro anos que, na última década, assinalaram um crescimento mais acentuado de divórcios. Três fenómenos, creio, terão tido uma importância decisiva na evolução destes comportamentos. O que, em termos práticos, «facilitou» o divórcio. O primeiro foi a entrada das mulheres no mercado de trabalho, a partir da década de sessenta. Esta independência financeira arrastou consigo uma menor tolerância às dificuldades naturais da vida a dois. O segundo terá sido o reconhecimento legal, desde 1975, do divórcio para os casamentos religiosos. Por outro lado, as alterações entretanto verificadas na Concordata, relativamente aos efeitos civis do matrimónio católico, possibilitaram a regularização de uma série de situações familiares e trouxeram, muito possivelmente, pasme-se, mais separações do que casamentos... O terceiro estará ligado ao advento da pílula e dos restantes contraceptivos. Como se pode deduzir, dois destes factores respeitam, exclusivamente, às mulheres.»
[a pontuação não foi alterada]
http://pt.wikipedia.org/wiki/Alforria
«I've Earned Everything I Got»
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