Deixa-os livres para que «o façam por si».
E aí surge a nossa oportunidade.
Mas também, recordo-to, aí reside o nosso perigo.
Se alguma vez conseguem atravessar com êxito
essa secura inicial,
tornam-se muito menos dependentes da emoção
e, por consequência, muito mais difíceis de tentar.
C. S. Lewis
The Screwtape Letters
1942
traduzido por Carlos Grifo Babo
Grifo
[tentar - enganar, iludir, persuadir]
https://www.youtube.com/watch?v=VsevYF7LZ6I
No Freedom - Dido
Nelly Furtado - Força
visível
consciente
conhecido
lembrado
evidente
invisível
inconsciente
desconhecido
esquecido
oculto
Nelly Furtado - Powerless
Ambition
Peça de Teatro "Escola de Pais"
momento da acção: Maio de 2012
lugar: Portugal
personagens: Jaquina (mãe de Felismina, criança de 2 anos) e Zezinho (pai de Luisinho, criança de 6 anos)
JAQUINA
Zezinho, escrevo-te porque estou a pensar iniciar uma Escola de Pais.Há um ano, estive num encontro organizado pelo Centro Doutor João dos Santos - Casa da Praia em que participou um Grupo de Pais. O grupo dos Pais encenou uma peça de teatro sobre a família (sem diálogo, só expressão corporal) e representou-a no encontro para todo o grupo - éramos por volta de 200 pessoas a assistir, na Gulbenkian. Não há dia que não pense neste grupo, pela sua expressividade e simplicidade.
Este grupo específico tem o objectivo de trocar experiências entre si de maneira a aproveitar ao máximo a experiência de ser pai/mãe.
No fim da peça de teatro, todos disseram - individualmente - aquilo que representava para si o grupo e, sem excepção, todos disseram o quanto é importante e o quanto mudou as suas vidas familiares pelo facto de se poderem reunir como pais e mães (e depois amigos) e partilhar aquilo que têm vivido como pais, mães, como pessoas. Todos aprenderam muito uns com os outros.
Gostava de saber se terias interesse em participar numa coisa destas - ouvi dizer que tu também já tinhas tido a ideia de fazer "aulas de infância para adultos" - e queria saber o que achas da ideia. Eu penso que nessas aulas, todos somos professores E também alunos, pois há sempre maneiras de ver e experiências dos outros que nos tocam e com que aprendemos. Eu gostava de ser dinamizadora do grupo, e se tu tiveres gosto nisso, acho que me podias ajudar muito. Tenho lido muitas coisas simples e importantes sobre o assunto "Ser Pai" que acho que podem enriquecer outras pessoas. Contudo, acho que eu também gostava muito de aprender com a experiência pessoal de outros.
Eu pensei num grupo espontâneo de pessoas que se conhecem entre si e que queiram fazer troca de experiências a longo prazo.
Adeusinho, Jaquina
ZEZINHO
Olá Jaquina, como passas? Em primeiro lugar, parabéns pela ideia. Parece-me bastante interessante. O conceito, as experiências,....
Quanto à minha intervenção, vejo-a com alguma dificuldade. E essa dificuldade resume-se basicamente a uma coisa extremamente concreta: tempo (neste caso, a falta dele). Os meus horários, com excepção dos dias de aulas são quase de médico:), para além de que tenho em mãos alguns projectos em curso. É-me realmente impossível. De qualquer forma, tentarei arranjar um tempo para ir a algum dos eventos.
Desejo-te boa sorte para a tua jornada que vai ser trabalhosa, mas de certeza, gratificante.
De qualquer forma, alguma questão mais pontual que possa contribuir, diz.
Obrigado, Zezinho
JAQUINA
Zezinho, obrigada por teres respondido tão depressa. Então posso enviar-te um esquema de uma primeira sessão e tu dizes o que achas?
Conheces alguém que me possa ajudar - quando falei ao teu amigo disto, ele não me pareceu muito entusiasmado. Eu realmente procuro alguém que tenha entusiasmo por isso, além de ter interesse mental. Com entusiasmo, faz-se muito em pouco tempo e com poucos meios. Também falei disto à Professora da Felismina, e ela disse-me que seria interessante, mas também não se entusiasmou. Por outro lado, ela não é mãe (nem pai!...), o que a torna não-elegível. Tens quantos filhos? Vivem contigo? Quando pensaste nas "Aulas de Infância para Adultos", em que pensaste? Porque disseste no outro dia «é preciso brincar»?
ZEZINHO
Oi Jaquina. Ça va? desculpa a demora a responder, isto por aqui anda a 1000:)
Podes na boa enviar, eu tento ver em tempo útil. Vou ver por aqui na minha base de amigos se alguém pode ter perfil e, claro, interesse num projecto com estas características. Tenho um filho:)
JAQUINA
Esquema para a primeira sessão
Local: Jardim ao ar livre, de preferência perto de um local com crianças, mas com privacidade QB que permita estarmos focados; p. ex.º, no PN, a Norte da Torre Vasco da Gama
Hora:17H00-20H00
1ªparte - Brincar (17H00-18H00)
(em silêncio, ao som de uma música alegre; por ex.º BSO de Amélie, do Yann Tiersen)
Brincadeiras possíveis - plasticina, escrever um texto, desenhar em folhas coloridas, jogar legos. No fim, todos juntam os resultados das suas brincadeiras para fazer uma obra de arte original (é claro que eu é que vou arrebanhar a arte, pois normalmente ninguém quer).
2ª parte - Ler um texto (18H00-18H15) sobre o facto de que somos pais e mães reais e não mentais - todos temos uma história. Todos sofremos, tivemos alegrias, dificuldades, gostos, talentos, coisas que gostamos em nós e coisas que não gostamos. Todos os pais e mães são-no com a experiência passada de vida. Compreender como é que o passado nos ajuda ou dificulta o SER PAI ou MÃE QUE QUERO SER. Não queremos imitar a maneira de outros serem pais ou mães, queremos conhecer a maneira individual a que somos chamados a sê-lo. A ideia de NÃO IMITAR é muito importante na 1ª sessão.
Não imitar ----» (Não julgar, não ser julgado) ---» LIBERDADE
3ª parte - Comunicar (18H15 - 20H00) cada um diz o que lhe apetece sobre o texto, faz perguntas - a espontaneidade é muito importante nesta parte - não há esquemas, não há formatos para a maneira de cada um se exprimir. Não é obrigatório exprimir-se. É obrigatório estar ATENTO ao grupo. Mas independente do grupo.
4ª parte - Prenda - INTERIORIZAR - cada pessoa tira aleatoriamente uma frase para levar para casa (os dinamizadores escrevem vários pequenos textos originais relacionados com a 2ª parte). No início da 2ª sessão, lemos as frases que nos calharam.
Ou
4ª parte - os dinamizadores espontaneamente dizem o que mais os tocou acerca de cada pai / mãe. O objectivo é que cada pessoa se sinta acolhida como é. Que cada pessoa se sinta sempre cada vez mais segura de que é escutada. Que é vista tal como a sentiram. Não é objectivo desta parte fazer avaliações. (MUITO IMPORTANTE: Nunca, nunca, nunca os dinamizadores podem empregar expressões do género "deve-se fazer isto, é melhor fazer/pensar/tentar W", "se eu fosse como fulana / tivesse tanto como sicrana, também fazia e acontecia" , MAS SIM "Comigo aconteceu isto", "Eu senti Y quando aconteceu Z", "Eu dei-me bem com a acção J", "Quando precisei de A, não consegui nos lugares 1 nem 2", "quando falei com a pessoa K, ela foi de ajuda / não foi de ajuda").
Ou
Juntar a prenda com a expressão espontânea de sentimentos.
Muito obrigada por uma crítica honesta e sincera,
Jaquina
ZEZINHO
Jaquina, como passas?
Na realidade eu não tenho grande experiência de workshops ou teorizações de relações entre pais e filhos, para poder criticar. Por isso, é mais uma opinião meio 'conversa de café'. Acho nice fazeres isso ao ar livre. De resto parece-me uma estrutura que tenta tocar vários pontos. Diria que será optima para fazer um piloto e perceber o que resulta bem e o que resulta menos bem. Percebi que alguns temas são mais pessoais que outros e só se os testares percebes se as pessoas se sentem ou não à vontade sobre falarem uns sobre os outros, por exemplo. Não sei se ajudei alguma coisa.
Obrigado, Zezinho
JAQUINA
Olá Zezinho
Obrigada pelo comentário, mas acho que a minha ideia não foi compreendida, pois devemos ter experiências tão distantes que não nos conseguimos entender. Não pretendo teorizar nada, PELO CONTRÁRIO. A PRÁTICA é que nos une como pais que se querem enriquecer em grupo. Um texto de educação (ou sobre qualquer outro tema) não tem valor nenhum para mim - pois não tem autoridade - se não é escrito a partir da experiência pessoal. Foi por essa razão que eu gostei muito de ler os teus textos, pois vi que tu punhas a tua experiência. Não te conheço bem, mas não te reconheço no que escreveste.
Jaquina
Yann Tiersen & Pitbull & Lil Jon
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