NOME DE VASCO
A tua voz
excessiva tornava-os mais pequenos.
Eles exigiam-te
palavras untuosas,
as secas flores
da jactância,
seu sono e
alimento.
A verdade saía
da tua boca iluminada
e eles tinham os
ouvidos postos na mentira
no bocejo
intrigante, na fala camuflada.
A tua voz
recuada na origem não se perdia
nos afazeres
verbais da litigância
não sabia a
ganância.
Era o vento dos
pobres sobre os metais do luxo.
Não te punhas a
embalar o povo
como à criança
que tarda em adormecer.
Atiravas-lhe à
cara as palavras abruptas
um rosto
incorruptível por marés de ferrugem
e gestos de
morrer.
A tua fronte
vasta tornava-os mais pequenos.
Nela despertava
o susto das mães familiares,
o trigo parco
dos homens nas tabernas
que te olhavam
ingénuos vendo a seara crescer.
Ao colo dos pais
os meninos sorriam
e os velhos viam
coisas saltar dos teus cabelos.
Mas eras tu que
soltavas a vida
amarrada a um
poste como um burro de carga
a vida desavinda
que os enraivecia
e que lhes dava
um coice na pança saciada.
Aqui perde-se
tempo a trabalhar as lendas.
Mas o teu rosto
não pode adormecer
sobre a toalha
tépida que tece a tua ausência
onde derramo o
choro e os outros vão beber.
Porque o teu
pulso não suportava a febre
e erguia-se no
ar como um pássaro agudo
que respirasse
os ventos antes de partir.
Sobre o ladrar
dos cães a tua voz alteia
como a papoula
que o tempo não desfolha
a coluna de fogo
que cai sobre a alcateia.
És o lagar
imenso onde as uvas fermentam
sob os pés
descalços e vivos da memória.
Armando Silva
Carvalho
Where The Streets Have No Name
No comments:
Post a Comment