Tuesday, 13 May 2014

Fazer e Mostrar-se a Fazer 2







«A rua é anónima, cada vez mais anónima. As pessoas transportam-se ou fazem-se transportar, não se tocam, não se acotovelam, não se falam, claxonam-se! As lojas - a loja do merceeiro ou a do talho - já não são locais de convívio e não se arranjam outras para os substituir. Os construtores não fazem parques para automóveis, nem praças para conviver, nem salas de convívio. Os automobilistas com a complacência das autoridades, não permitem espaço de manobra... Os espaços verdes são desprezados, inutilizados. A rua é agressiva para as crianças que nela estão sem os protectores tradicionais: os vizinhos... Já não há vizinhos nos prédios de oito andares! Neste mundo urbano a criança anda perdida, abandonada ou fica segregada. Não será a organização dos pais e educadores possível com vista a obter espaço para a criança?

Numa comissão da Condição Feminina de que fiz parte, com pessoas encantadoras e de muito agradável convívio, fez-se bom trabalho e pelo menos conseguiam-se as férias dos 3 meses para as jovens mães... Mas fez-se mais que isso: a ideia de um instituto da criança, imaginado como organismo não exclusivamente estatal, foi levantada, elaborada e passada ao papel. Uma instituição que teria de forma dinâmica a participação de toda a gente, podia centralizar-se e promover a descentralização, com todo o dinamismo colectivo dos pais e educadores, sem os funcionários a explicar - e o povo a fazer. Acreditávamos que assim seria. Ficou na gaveta por tricas prioritárias. Se o trabalho é qualquer coisa que se cifra em termos de produção, a minha vida oficial nas comissões para a criança, tem sido apenas actividade ginástica, uma espécie de movimento brawniano!»



[http://pt.wikipedia.org/wiki/Movimento_browniano]


https://www.youtube.com/watch?v=zsCD5XCu6CM
Somewhere I Belong














Sophia de Mello Breyner Andresen e Teresa Calem, A Fada Oriana



Sing Our Own Song




«Só é verdadeiramente educativo, o que de belo se ensina, o que se sabe e se mostra oportunamente saber e o que se realiza com amor pelos outros.

A educação começa no berço, porque desde o berço se aprende a dar e a receber amor e a comunicar emoções, afectos e sentimentos. Ser bem educado é saber comunicar, como ser culto é viver num certo sistema de relações humanas.

Desde o berço que a mãe comunica através dos seus cuidados, directamente com o bebé. A mãe comunica também, pelos seus gestos e palavras modeladores das atitudes, gestos e palavras de criança. Ninguém se exprime apenas por palavras e tudo quanto na expressão corporal envolve o verbo, foi pelo Homem aprendido com a Mãe. A palavra é precedida na sua aprendizagem pela utilização da expressão mímica e do gesto e quando surge numa dada fase evolutiva da criança - como da Humanidade - surge no enquadramento da expressão corporal.

A palavra toma o seu lugar na vida do bebé quando este se levanta e marcha; quando ele liberta definitivamente as mãos para manipular o que lhe está ao alcance no espaço operacional; quando pode contactar mais em directo, com as outras figuras do clã; quando toma contacto com os objectos e é levado a observar que eles têm uma linguagem, que eles são, uma linguagem, um utensílio para comunicar indirectamente; quando se sente envolvido pelas palavras do grupo, pelos ditos de alguns, pelo falar da gente que por ele se interessa.» 


https://www.youtube.com/watch?v=xacflWZig8c
Lacrimosa



https://www.youtube.com/watch?v=kdxOSq_zKUA
A Map of the World





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