Monday, 9 June 2014
A Arte da Agulha
Já lá vai o tempo em que a maioria das raparigas sabia coser, bordar e, de um modo geral, executar toda uma série de trabalhos complexos com linhas e agulhas. Depois, vieram a igualdade e o feminismo e a arte da agulha começou a ser encarada como monótona e humilhante. Após séculos sentadas em casa a bordar, enquanto os homens se pavoneavam nas ruas, gritavam e provocavam guerras, as mulheres puseram de lado a caixa da costura e juntaram-se a eles. Lá se foi a economia doméstica. E, em seu lugar, passaram a saber coisas úteis como... aprender a usar um torno mecânico.
É uma pena, realmente. Porque coser não é apenas fazer bainhas e passajar meias. Podem fazer-se muitas coisas divertidas e bonitas. E, além disso, saber pregar um botão não impede uma rapariga de vir a tornar-se primeira-ministra.
Rosemary Davidson e Sarah Vine
The Great Big Glorious Book for Girls
tradução Ana Glória Lucas
2007
REPRODUÇÃO HUMANA
Todos os seres vivos têm um tempo de vida limitado, que pode variar desde alguns minutos até alguns milhares de anos. No entanto, todos eles são finitos. Apesar deste facto, os seus genes perduram ao longo de gerações, graças ao processo reprodutivo.
A reprodução deve, pois, ser entendida como uma das funções mais importantes para os seres vivos, ao permitir que a espécie se perpetue muito para além da esperança média de vida de cada indivíduo.
Existe uma grande variedade de mecanismos que permite a criação de novos indivíduos de uma espécie, a partir dos que já existem. Estes mecanismos podem ser agrupados em dois grandes tipos de reprodução: a reprodução assexuada e a reprodução sexuada.
A reprodução assexuada assenta na criação de novos indivíduos, cujos genes provêm todos de um único progenitor, sem que haja, portanto, fusão de células sexuais. A reprodução assexuada baseia-se, na maior parte dos casos, exclusivamente em processos de divisão celular mitótica e permite uma rápida produção de descendência.
A reprodução sexuada consiste na criação de novos seres à custa da fusão de células haplóides, denominadas gâmetas, da qual resulta uma célula diplóide, o ovo ou zigoto. Os gâmetas são formados por meiose. Este facto, aliado à união ao acaso dos gâmetas, permite uma grande variabilidade genética da descendência.
Entre os animais, verifica-se a existência de diversos mecanismos, quer de reprodução assexuada, quer de reprodução sexuada, bem como padrões reprodutivos muito distintos.
Biologia 12º Ano Parte 1
Osório Matias, Pedro Martins
Revisão Científica da Professora Doutora Maria da Natividade Vieira - Doutorou-se pela Faculdade de Ciências da Universidade do Porto e é Professora Auxiliar com Agregação do Departamento de Zoologia e Antropologia da mesma instituição. É ainda Coordenadora e Investigadora do CIMAR (Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha e Ambiental).
Areal Editores
FERNANDO PESSOA ORTÓNIMO
Fernando Pessoa é não apenas o autor de uma obra múltipla e plurifacetada, mas, principalmente, o criador de uma "pequena humanidade", constituída por figuras "exactamente humanas" com personalidade própria, como são Alberto Caeiro, Ricardo Reis ou Álvaro de Campos.
A sua criação literária reflecte o "drama-em-gente", como o próprio sublinhou, ou, se quisermos, "dramas em alma" com cada personalidade a ter temperamento, consciência, ideias e sentimentos diversos do seu executor. Os heterónimos e semi-heterónimos surgem como estados de alma, com múltiplas vozes a exprimirem percepções, conhecimentos e entendimento da vida e do mundo.
Sem pôr de parte alguma continuidade do lirismo tradicional português, Fernando Pessoa abre caminho ao modernismo, quer através deste fenómeno da heteronímia, quer graças às diversas experiências e concepções estéticas.
No ortónimo há poemas mais tradicionais com influência da lírica de Garrett ou do sebastianismo e do saudosismo; mas a maior parte abre caminho a experimentações modernistas com a procura da intelectualização das sensações e dos sentimentos. A poesia ortonímica apresenta suavidade rítmica e musical, em versos geralmente curtos.
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Preparação para o Exame Nacional 2011 - Português
Vasco Moreira e Hilário Pimenta
Revisão Científica de Sérgio Guimarães de Sousa (Doutor em Literatura Portuguesa e Professor Auxiliar da Universidade do Minho)
Porto Editora
LITERACIA EMOCIONAL
Um dos factores mais importantes para o desenvolvimento psíquico das crianças e dos adolescentes reside na capacidade de os adultos saberem ler as suas emoções. Para nos podermos conhecer a nós próprios, precisamos de alguém que primeiro nos faça isso. De um adulto que nos oiça, entenda e ajude a decidir sobre o que fazer. É essa uma das principais tarefas dos pais durante o crescimento dos filhos: dar a conhecer, para que cada um se possa conhecer e também assim consiga conhecer os outros. E os pais que conhecem bem os filhos fazem-no intuitivamente. Mesmo sem palavras, conseguem perceber a variação de estados afectivos comuns como a alegria, a tristeza, a ansiedade. Estão atentos a todas as formas de comunicação dos filhos e sabem que o inverso também é verdade, pois as crianças e os adolescentes intuem muito bem as emoções dos pais:
«Não me diz nada... Mas noto pela forma como ele me passou a olhar», contava-me uma mãe a propósito de períodos de depressão do seu filho de 12 anos.
«Quando o meu pai vem mais nervoso do trabalho, já sei... põe logo aquele ar», dizia-me a Joana, de 14 anos.
À capacidade de ler os afectos nos outros chamamos literacia emocional, e devia ser uma capacidade tão presente e desenvolvida em cada um de nós como a de ler, escrever e contar. Ela parte de dois pressupostos: o de um reconhecimento de um mundo interior emocional, que existe e se desenvolve na criança desde os primeiros tempos de vida, e o de que as nossas emoções têm um profundo impacto nos outros. Tão simples e, contudo, ainda tão ausente da nossa consciência.
O Gonçalo tem 8 anos e, ao ver que eu ia conversar com outro menino da sua sala, perguntou por que não o escolhia a ele. Alguém lhe terá dito que não precisava, uma vez que ali eu só falava com quem tivesse dificuldades nas coisas de pensar ou sentir:
«Mas eu quero ir. Eu também tenho sentimentos.»
Hoje, grande parte dos muitos problemas que enfrentamos têm como base uma profunda iliteracia emocional, isto é, uma incapacidade de ler e respeitar o mundo emocional dos outros, a começar pelos mais pequenos. A causa? A incapacidade de muitos adultos de se lerem a eles próprios em sociedades que investem profundamente no exterior esquecendo o interior, desprezam os sentimentos achando-os um entrave ao pensamento (quando são a sua base), não compreendem as ligações da parte física à psíquica, ignoram a importância do bem-estar individual para o social e não criam espaços de aprendizagem e trabalho saudáveis e criativos. É assim que nos arriscamos a esquecer a energia e espontaneidade de gerações.
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Só no ano 2000, nasceram 7400 bebés filhos de mães adolescentes (o número de abortos não é contabilizável, dada a existência de clandestinos).
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Pedro Strecht
Quero-te Muito - Crónicas para Pais sobre Filhos
2004
Assírio & Alvim
https://www.youtube.com/watch?v=47i_-Rxp4DA
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