Todos os maus pais têm ímpetos de generosidade para com os filhos
Todos os maus jornais têm notícias importantes e verdadeiras
Todos os maus governos praticam acções justas e corajosas
Então,
Como podemos escolher o que é bom e rejeitar o que é mau?
Conhecendo a proporção de tempo e/ou espaço
em que O BEM é praticado,
quando comparado com o total de tempo/espaço.
Quando o bem é praticado com um
significado
intenção
motivação
de BONDADE
ele é sincero,
ou seja, não é um impulso primário e superficial,
mas algo que faz parte da necessidade de AMAR
que todas as pessoas/empresas/iniciativas/governos
verdadeiramente BONDOSOS possuem.
Por outras palavras,
se alguém é bom educador,
essa pessoa AMA-SE e AMA as crianças que educa.
O que ela faz em grande parte do tempo
é um reflexo da sua personalidade profunda e madura
e transborda nas atitudes práticas.
Ela educa COMO QUER EDUCAR na maior parte do tempo.
Quando acontece
que o educador faz alguma coisa que não gostou de fazer,
se ele AMAR,
procura que a pessoa/criança que prejudicou
possa recuperar aquilo que perdeu,
mesmo que não tenha sentido as consequências do ERRO
(no caso de crianças muito pequenas).
Esse MAU COMPORTAMENTO é uma excepção,
que se fôr consciente pelo educador,
pode ser apenas um acontecimento esporádico
e uma oportunidade de aprendizagem
e de mudança de práticas.
Quando o MAU EDUCADOR toma consciência de um erro,
não se preocupa com a pessoa que sofreu com ele,
procura aliviar a sua própria consciência,
e mais nada.
Não o preocupa as consequências
que o seu comportamento acarreta.
Não o preocupa mudar de comportamento,
apenas resolver aquele erro que ele vê como uma
"mancha" no seu caminho normal,
pois errar é humano.
ERRAR CONSTANTEMENTE significa ignorância
e não tem nada de humano.
Humano é aprender, a partir da experiência pessoal
e acarreta a possibilidade de erro,
mas a base da aprendizagem não é errar,
é sentir e pensar.
Enquanto sentimos prazer / calma / segurança
ao fazer uma coisa, continuamos a fazê-la.
Mas se esse sentimento não evoluir para um cada vez
MAIOR PRAZER
MAIOR CALMA
MAIOR SEGURANÇA
significa que a pessoa já não cresce. Estabiliza. Controla-se.
Isola-se. Reprime a sua aprendizagem.
A aprendizagem requer experiências novas
(sejam elas interiores ou exteriores)
e que tenham um carácter suficientemente duradouro
para serem aprendidas e se tornarem conhecidas.
Por outro lado,
não seria justo nem inteligente
pensar que um mau educador é sempre mau.
Há coisas que ele faz bem feitas
e nessas pode ter-se confiança, pois ele vai repetir
o seu bom comportamento naquelas mesmas circunstâncias.
A oportunidade de melhorar como educador
de alargar as suas boas experiências
reside na capacidade de ele DESEJAR SENTIR
cada vez mais intensamente e de modo mais duradouro
o PRAZER de fazer bem. De educar bem.
De ver que a criança vive cada vez melhor,
independentemente das circunstâncias exteriores.
Esse PRAZER de educar bem é sentido pela criança
MUITO rapidamente.
A criança absorve emocionalmente as suas experiências
muito rapidamente e o seu comportamento reflecte
o seu sentir também muito rapidamente.
Por exemplo, se uma criança cresce com alguém chato,
desde que nasceu até à idade dos 3 anos
(que é, por exemplo, a idade em que pela primeira vez
ela vai começar a passar mais tempo separada dos pais
do que perto deles)
ela sente e pensa que
ELA É CHATA
A VIDA É CHATA
AS PESSOAS SÃO CHATAS
O MUNDO É CHATO
TUDO O QUE CONHEÇO VAI CONTINUAR A SER UMA CHATICE PARA SEMPRE.
Ela compreende por "CHATO" de acordo com a sua própria
sensibilidade e pensamento
QUE SÓ ELA POSSUI
e que é irrepetível.
É um conceito pessoal.
Seja qual for o tempo, seja qual for o espaço.
Seja em 1999 na rua da Jaquina às três da tarde,
seja em 1202 na Serra da Estrela ao nascer do sol.
O que ela sente é dela, sua propriedade e domínio,
não é do espaço,
não pertence ao tempo.
O tempo e o espaço são variáveis a que ela se adapta,
em que ela vive, reage, administra,
mas não são ELA.
A criação da sua identidade como pessoa
vai-se fazendo ao longo das experiências que ela
SENTE E PERCEBE E INTERIORIZA.
A criação da sua identidade faz-se pelas suas decisões.
Mas nem tudo o que a criança/pessoa interioriza
é consciente.
É tanto mais consciente, quanto maior é o conhecimento
que tem de si mesma.
Um bebé que está na barriga da mãe
não sabe o que é o ar.
Quando nasce, sente falta de ar
e aprende a respirar rapidamente.
Aprende a gritar.
Aprende a sentir fome.
Aprende a chorar.
Aprende o desconforto da sujidade.
Aprende o frio e o calor.
Aprende a ser agarrada e a agarrar.
Aprende o peso da sua cabeça enorme.
Aprende a olhar. A usar as pálpebras.
Aprende a sentir as costas
(ela não sabia que tinha costas quando estava na barriga da mãe).
Aprende a viver com a pele seca.
Aprendeu a dor nas contrações do útero.
Aprendeu que a dor acaba
mas que ela continua depois da dor.
https://www.youtube.com/watch?v=H1KBUK9W0Ac
por Thomas Balmès
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