Para agradar aos adultos,
as criancinhas de três anos conseguiam ler e escrever.
Parecia que não sabiam o que estavam a ler, mas liam.
Quando chegavam à primeira classe,
estavam muito avançadas em relação às outras crianças
e obtinham dos adultos um elogio
de que sentiam necessidade.
Mas os colegas não gostavam particularmente delas,
e muitas destas crianças «precoces»
não tinham adquirido as capacidades necessárias
para lidar com os companheiros da mesma idade.
Tinham uma orientação adulta.
Na segunda e terceira classes, começavam a falhar.
Os processos de aprendizagem mecânica
que tinham usado anteriormente para aprender
não se generalizavam à aprendizagem mais complexa
de que necessitavam nas classes mais avançadas.
Pareciam presos a métodos de aprendizagem
mais primitivos.
Quando começavam a deixar de ser os melhores da aula,
perdiam a aprovação dos adultos
para os quais tinham estado a actuar.
Então, estas infelizes crianças sentiam-se muito diminuídas.
Já não eram estrelas;
as outras crianças tinham-nas posto de parte;
os adultos estavam desapontados, deixando-as tristes e sós.
Apesar disto e de provas posteriores
de que este ensino precoce é negativo,
muitos pais continuam ansiosos por dar aos filhos
uma «iniciação intelectual».
Continuam a proliferar livros e programas
que prometem «ensinar o bebé a ler».
Afastem-se deles.
A criança aprende melhor quando aprende para si
e não para os outros.
O jogo é a sua maneira de aprender.
Quando aprende brincando, experimenta técnicas diferentes,
para descobrir o que é que resulta para si própria.
Quando não consegue realizar algo
que está interessada em fazer, sente-se frustrada.
A frustração leva-a a descobrir como fazê-lo.
Quando finalmente o consegue,
tem uma sensação maravilhosa: eu fiz isto sozinha!
Este é o estímulo mais compensador que existe
para a aprendizagem futura.
T. Berry Brazelton
Touchpoints
1992
tradução de Maria das Mercês Peixoto
O SEGREDO É AMAR
Fosse mais bela a Vida e mais sincera...
Como eu lhe quero, mesmo assim!
Tanto lhe dei de mim
que já é menos acre do que fôra.
Ah!, bem parece que o Amor melhora
quanto a graça de Deus não fez bonito.
Há lá coisa mais linda do que um grito
quando foi o Amor que o pôs cá fora!...
Deixa ser o meu gesto uma grinalda
nos teus cabelos. Vida!
Deixa que o meu olhar enflore teus olhos.
Adeus, adeus teus dedos ásperos!
Adeus teu rictus doloroso!
- Vida, quem é a minha namorada?
Setúbal, 15.
Primeira aula, ontem à noite.
À-vontade e alegria.
Os moços gostaram de mim.
Eu gostei deles.
Sebastião da Gama
Quando comecei a praticar,
achava monótona a rotina das vacinações
e controlo do peso e altura.
O que mais me atraía
eram as questões relacionadas com o desenvolvimento
da criança, que os pais ansiosamente apresentavam
em cada visita.
T. Berry Brazelton
Touchpoints
1992
Soothing a Crying Baby
Raise a Child
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