Friday, 27 June 2014

o médico cura-se curando





























































































Todos os anos há milhares de pais no mundo
 que ficam prematuramente sem os seus filhotes.
 Por este ou por aquele motivo há, e haverá sempre, 
centenas de milhares de crianças
 que nunca chegarão à idade adulta.
 Nunca serão pais, nunca serão avós. 
Mas por outro lado, também nunca deixarão de ser 
filhos dos seus papás, 
só porque os deixaram antes do tempo.

Paulo Sousa Costa
Desistir Não É Opção
2012



A vida de Adam e o nosso relacionamento foram dádivas por demais verdadeiras e permanentes para mim. Do ponto de vista puramente mundano, falar do nosso relacionamento não faz qualquer sentido. Mas eu, Henri, o amigo de Adam, decidi escrever sobre isso. Não o enfeitei, nem o suavizei ou amenizei. Tentei escrever sobre ele de forma tão simples e directa quanto possível. Sou testemunha da verdade de Adam. Sei que não poderia ter contado a história dele se não conhecesse a história de Jesus. A história de Jesus deu-me olhos para ver e ouvidos para ouvir a história da vida e da morte de Adam. Foi à luz dessa história que me senti compelido a escrever sobre a história de Adam.
Foi por causa de Adam que l'Arche se tornou a minha comunidade e Daybreak o meu lar - por ter segurado Adam nos meus braços e ter tocado nele, em espírito de absoluta pureza e liberdade. Adam deu-me uma sensação de pertença. Ele enraizou-me na verdade do meu ser físico, ancorou-me na minha comunidade, e deu-me uma profunda experiência da presença de Deus na nossa vida conjunta. Se não tivesse tocado em Adam, eu não sei onde estaria hoje. Aqueles catorze primeiros meses em Daybreak, a lavar, a dar de comer, a acompanhar Adam em tudo, deram-me o lar por que tanto ansiava; não apenas um lar com boas pessoas, mas um lar no meu próprio corpo, no corpo da comunidade, no corpo da Igreja e, também, no corpo de Deus.
Ouvi e li sobre a vida de Jesus, mas nunca fui capaz de tocá-lo ou de vê-lo. Pude tocar Adam. Vi-o e toquei na vida dele. Toquei-o fisicamente quando lhe dava banho, barbeava-o e escovava-lhe os dentes. Toquei-o quando o vestia com cuidado, caminhava com ele para a mesa e ajudava-o a levar a colher à boca. Havia outros que também o tocavam quando lhe faziam massagens, quando o ajudavam a fazer exercícios ou se sentavam com ele na piscina e na hidromassagem. Os pais dele também lhe tocaram. Murray, Cathy e Bruno tocaram-lhe. Foi o que fizemos: tocámos em Adam.
E o que se diz de Jesus deve ser dito de Adam:«Todos os que o tocavam ficavam curados» (Mc 6,56). Cada um de nós que tocou Adam tornou-se completo de alguma forma. Foi essa a nossa experiência comum.
Assim, a história de Adam torna-se uma expressão da minha fé, o meu credo, e partilha também a minha própria história com todos os pontos fortes e deficiências que tem. Ao escrever este livro, fui percebendo cada vez melhor que cada palavra envolvia tanto a mim como ao Adam. E não podia ser de outra forma. Foi o meu amor por Adam que me impeliu a escrever a história dele, em primeiro lugar porque foi um amor que se transformou em dor, lavado em lágrimas e repleto de saudade. Ali mesmo, onde o amor e a tristeza se encontraram no meu coração, o Espírito de Deus inspirou-me dizendo: «Senta-te e escreve. Conta a história. Tu podes fazê-lo não só porque amaste Adam mas também porque conheces bem a outra história.»
E foi assim que eu me sentei, mergulhado na minha dor, e escrevi, escrevi, escrevi. As palavras acudiam facilmente porque ao escrever eu via com uma clareza cada vez maior que Adam vivera a história de Jesus que eu contava a quem quisesse ouvir.
Agora vou descansar um pouco. A história foi contada. Espero e rezo para que muitos a leiam e a compreendam.

Henri J. M. Nouwen
Adam, o amado de Deus
1997
tradução de Vera Lúcia Vaccari






Brave




A verdadeira descoberta das outras crianças e do mundo social faz-se pelos 7 anos, sobretudo na escola. É fácil de notar o atraso social, o acanhamento em público, a falta de desembaraço das crianças que não brincaram com camaradas entre os 7 e os 12 anos, sobretudo daquelas que entraram tarde para a escola. Os filhos únicos de meios burgueses ou as crianças das quintas afastadas das povoações são, a esse respeito, nitidamente desfavorecidas por causa da sua falta de contactos sociais.
Voltemos uma vez mais a essas ciladas dos começos da vida social. Vimos como nascia e podia ser reabsorvido um conflito afectivo no meio familiar. Vamos do mesmo modo examinar as possibilidades de complexos na vida escolar e nas relações das crianças entre si.
É muito importante, para um educador, conhecer a fundo esses fenómenos mentais, a fim de os poder curar e permitir desse modo a numerosas crianças uma vida social normal e não inibida. Na maioria das crianças, trata-se de «doenças» benignas que um pouco de atenção fará desaparecer. Mas há que olhar por isso, a fim de compensar eventualmente a influência por vezes asfixiante da família ou do meio escolar, que tornaria essas dificuldades duradouras e profundas.
Temos de nos convencer, a sério, de que a entrada para a escola é um choque afectivo violento: de repente, a criança passa a ser uma igual a muitas outras.

Guy Jacquin
A Psicologia da Criança - Linhas Fundamentais
1955



The Beach
Danny Boyle


Maxime Le Forestier






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