Saturday, 21 June 2014

é como andar de bicicleta











"see the world through your head" significa ver o mundo de modo incompleto, superficial ou parcial; ver de acordo com a utilidade que o mundo pode proporcionar-me e de que necessito para poder sobreviver.
– profit / utilidade / sem necessidade de crença

"see the world through your heart" significa ver o mundo de modo completo, profundo ou total; ver de acordo com a utilidade, a sabedoria e o prazer que ele pode proporcionar e que me indicam um caminho para poder continuar a viver conhecendo cada vez melhor tudo o que eu quiser conhecer.
– knowledge / profundidade / crença



«é como andar de bicicleta»

Quando o corpo de um cantor aprende a cantar, ele possui uma capacidade de memória que permite que não desaprenda se parar de cantar por certo período de tempo.

Assim, mesmo que passem 5 anos sem cantar (após ter cantado por 1 ano), não recomeça a aprendizagem como se nunca tivesse aprendido. 

Quando se canta afinadamente, todo o corpo - da cabeça à sola dos pés, passando pelos braços, mãos, abdómen, costas, baixo ventre, pernas, carne e osso e espaços "livres" - está a contribuir para a produção do som. Aprende-se a utilizar todo o corpo para transmitir uma ideia através da voz.

De modo semelhante acontece na aprendizagem da marcha. Para que uma pessoa desaprenda a andar tem de acontecer uma lesão muito profunda no cérebro.

Assim, aquilo que se aprende através do sentir do corpo dificilmente é desaprendido. O mesmo não sucede com o aprender puramente ideológico. O "saber livresco" tem de ser repetido constantemente no pensamento para não ser esquecido.


Se fizermos aquilo em que pensamos e acreditamos* não esquecemos por muito tempo, e podemos conhecer cada vez mais profundamente e intuitivamente, e retirar dessa aprendizagem cada vez mais prazer de descobrir o que antes desconhecíamos.

*pensar não acarreta risco; acreditar acarreta risco

Se aprendêssemos a usar o nosso corpo para ter prazer tão frequentemente quanto possível, estaríamos a capacitar a nossa mente para aprender cada vez mais e melhor com tudo aquilo que ela toma consciência.

prazer pelos olhos - ver o belo, a diversidade, a intensidade de luz e da cor, ver o movimento, o brilho, a opacidade, o ritmo, a linearidade ou a irregularidade (e consequentemente a surpresa)

prazer pelo tacto - tocar o macio, sentir o quente, o refrescante, o erótico

prazer pela audição - ouvir o belo, o som afinado, o som do riso, o som forte ou discreto, distinguir a sinceridade da mentira, identificar as emoções que tenho em comum com o outro, ser capaz de reconhecer perigo e proteger-me, ser capaz de distinguir voz saudável da voz doente, a voz limpa da voz rouca, a voz masculina e feminina. 

prazer pelo paladar - provar o saboroso, o doce, distinguir alimentos, matar a sede, provar o picante, deixar derreter na boca, mastigar com força

prazer pelo olfacto - cheirar o perfumado, distinguir lugares, objectos, situações e pessoas, sentir o peito dilatar-se

o prazer do despertar - quando sentimos o corpo dilatado e cheio de energia porque descobrimos uma coisa nova ou confirmámos uma intuição em que tínhamos esperança («Sinto-me nascido a cada momento para a completa novidade do mundo», Alberto Caeiro, O Guardador de Rebanhos)

Reconhecer estes prazeres torna-me mais independente das outras pessoas, ajuda a que eu me conheça melhor internamente e fortaleça o meu carácter, e contribui para que o meu conceito de felicidade ou amor não esteja tão ligado à ideia romântica de relação, e, portanto, de relação com o sexo oposto - que é de facto muito importante no despertar e conhecer dos sentidos corporais e da curiosidade pelo que é diferente e eu não sabia que existia.  

O prazer do orgasmo é tanto mais procurado quanto menos se experimentam outras formas de prazer pessoal e de trazer gosto à nossa existência como pessoas completas, o que pode ser um problema pois implica o risco de trazer crianças a um mundo que não tem capacidade de cuidar e de as conhecer como algo de precioso e enriquecedor. Por outro lado, se nos apaixonamos por uma pessoa que nos desilude, ter tido intimidade física com ela pode ser algo de humilhante (pois descobrimos que para ela nós não tivemos significado nem temos importância) e retirar capacidade de no futuro sermos capazes de nos reerguer emocionalmente. Se ainda por cima vivemos perto de pessoas em que o sexo é utilizado sistematicamente como entretenimento e fuga de uma existência aborrecida e monótona, o valor da experiência humana é cada vez mais redundante e ocasional. 

Quem tenha experimentado um orgasmo quer repetir a experiência. E quem não experimentou, quer experimentar porque quando se fala nisso, fala-se com grande desejo e maravilha. É uma experiência tão intensa que se a sentíssemos por mais de uns segundos morríamos de enfarte porque o nosso corpo é demasiado fraco para suportar tanto prazer de uma só vez. Por outro lado, a pessoa com quem estamos torna-se de tal modo importante na nossa vida, que queremos ser pessoas cada vez mais completas e fazê-la feliz na medida em que pudermos. Essa experiência curta de prazer faz-nos querer estar melhor connosco e com ela, faz-nos querer romper com tudo o que era antes válido, mas que agora perdeu valor porque as nossas barreiras emocionais "foram abaixo" - passámos a barreira do limite do corpo que conhecia a vida de uma maneira que se tornou para nós demasiado pequena e queremos chegar a Deus, à Plenitude, ou seja, ultrapassar todos os limites do que antes pensávamos ser impossível, e ir além do visível. 



you must face your problems
you must not fear your problems




se eu tenho medo do desconhecido
devo tentar conhecer
não devo fugir do desconhecido

se eu tenho medo do que me faz ser infeliz
devo tentar conhecer uma alternativa
 melhor àquilo que me faz ser infeliz
não devo fugir do que me faz ser infeliz

se eu tenho medo de armas de fogo
mas não precise delas para nada
devo evitar contacto com armas de fogo
mas se eu tiver de lidar com armas de fogo
então vou conhecer o modo de as usar para reduzir ao máximo o perigo de as usar - enfrentar o medo

se eu tenho medo de não me casar
devo conhecer a melhor maneira de me casar
não devo casar com uma pessoa porque
talvez não encontre mais ninguém para o fazer
no percurso que eu fizer para procurar
a melhor maneira de me casar
compreenderei por que razão o quero fazer
se a razão fôr boa, provavelmente terei tudo o que preciso para casar e ser feliz
se a razão fôr má, nunca serei feliz casando
 ou não casando

o medo é um sinal que indica que há acontecimentos
no meu interior que têm de ser conhecidos e resolvidos
para eu ser cada vez mais livre,
uma pessoa mais Amorosa e Ousada e Original

o bloqueio emocional provoca o medo e provoca ignorância
isolamento, desconfiança, violência subtil, violência delicada
morte



Até Quando?


Chocolat


Quartet


Hotel Marigold









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