E essa criança que recusa comer,
que está enroscada sobre si própria e que quer morrer,
reencontra o olhar que mergulha no seu olhar
enquanto lhe está a falar do desejo que ela tem de morrer;
olha para a ama para a qual não tinha olhado
durante nem sei já quanto tempo.
Regressa ao berçário e come.
Come uma comida regressiva, em relação à sua idade,
mas, dentro de alguns dias, recomeça o seu desenvolvimento
desde a idade da sua provação até à idade actual.
Isto aliás perturba muitíssimo as amas!
Uma delas disse-me:
«Eu não posso vir, vomito toda a tarde
por tê-la ouvido falar assim;
não há direito de falar assim a um pequenino,
não se lhe devem dizer coisas dessas;
dizer coisas sobre o pai,
sobre a mãe que ele teve,
que conheceu,
sobre o seu desespero por ter sido abandonado por eles,
e que nunca hão-de voltar,
e falar da morte a uma criança!»
Françoise Dolto
Les Étapes majeures de l'enfance
1994
tradução de Bernardina Felgueiras
https://www.youtube.com/watch?v=9QfQcnYt_aM
Exceptional
Mamã posso ter-te só para mim?
Mamã posso ter uma fralda só para mim?
Mamã posso ter uma chucha só para mim?
Mamã posso ter um passe só para mim?
Mamã posso ter um quarto só para mim?
Um nome só para mim
Uma escola só para mim
Uma cidade só para mim
Um país só para mim
Uma identidade só para mim
sentimentos aventuras conquistas
família filhos
cães gatos hamsters
lixos pontes canais festivais freguesias leis talk-show blog canção casa bicicleta almofada sofá hi-fi ipod
cuidar só eu
proteger só eu
escolher só eu
amar só eu
dar só eu
ensinar como ninguém
chamar meu e de mais ninguém?
ter o meu próprio preço?
http://www.thefreedictionary.com
sugestão de dicionário para palavras difíceis
Eric Arthur Blair (George Orwell)
was born in 1903 in Motihari, in India.
At the time India was part of the British Empire,
and Blair's father held a post as agent
in the Opium Department of the Indian Civil Service.
Blair's paternal grandfather too had been part of the British Raj,
and had served in the Indian army.
In 1907 the family returned to England and lived at Henley,
though the father continued to work in India
until he retired in 1912.
Knowledge of his family's background in the British administration in India can help us to understand Blair's
attitudes to the kind of society into which he found himself
born.
In changing his name from Eric Blair to George Orwell
later on in life, he was moving away quite deliberately
from the relatively privileged and fairly pleasant existence
the Blairs had enjoyed in helping to administer the Empire.
The Blair family was not very wealthy
- Orwell later described them ironically as
"lower-upper-middle-class".
They owned no property,
had no extensive investments;
they were like many middle-class English families of the time,
totally dependent on the British Empire for their livelihood
and prospects.
...
On leaving Eton, Eric Blair joined the Indian Imperial Police.
In doing so he was already breaking away
from the path most of his school-fellows would take,
for Eton often led to either Oxford or Cambridge.
Instead, he was drawn to a life of travel and action.
He trained in Burma, and served for five years
in the police force there.
In 1927, while home on leave, he resigned.
There were at least two reasons for this:
firstly, his life as a policeman in Burma was a distraction
from the life he really wanted, which was to be a writer;
and secondly, he had come to feel that,
as a policeman in Burma, he was supporting
a political system in which he could no longer believe.
...
He turned his back on English imperialism
and on his own inherited values by taking a drastic step.
For the six months after his return from Burma
he went to live among the poor in the East End of London.
For him the English poor were the victims of injustice,
playing the same part in England
as the Burmese played in Burma.
From being a servant of the British Empire
he became an explorer of his own country,
particularly of its working classes.
...
Having lived in the East End he then went to Paris,
where he lived and worked in a working-class quarter.
At the time, he tells us, Paris was full of artists and
would-be artists. It was 1928, and the franc was in a bad way,
so that well-off foreigners could live a bohemian
and artistic life fairly cheaply.
But the life that Orwell led was far from bohemian;
when he eventually found work,
it was as a dish-washer in a Paris hotel.
Once again his journey was downward into the life
to which he felt he should expose himself,
the life of the poverty-stricken,
or of those who barely scraped a living.
In 1929 he returned to England,
where he lived for a time as a tramp.
He described his experiences in Paris and London
in his first book Down and Out in Paris and London
which was published in 1933.
...
Orwell always put great faith in objective truth.
The freedom which he prized above all others
was the freedom to exercise normal common sense,
to see clearly what was to be seen.
...
Prose should allow the reader
to see the object or the idea
clearly for himself;
there should be no muddle or confusion.
It was not just that muddle irritated Orwell's aesthetic sense;
muddle could be dangerous,
because through it a writer might half-convince himself
that something had happened which had not.
...
The writer, as Orwell sees him, especially the prose writer,
is the gardian of simplicity,
objectivity and straightforward fact, and so, in our age,
he becomes the protector of the human spirit.
In Orwell's mind there is a link between
totalitarism and the failure of simplicity.
If a writer fails to be simple and direct,
and lies about what he sees,
for whatever reason, his ability to write will dry up.
He will become a tired hack
if he allows himself not to see clearly.
The writer who holds on to the freedom
to see things as they are,
will, Orwell says, almost inevitably come into conflict
with extreme political systems.
Robert Welch
York Notes on Nineteen Eighty-Four - George Orwell
1983
http://en.wikipedia.org/wiki/Robert_Anthony_Welch
https://www.youtube.com/watch?v=SIxOl1EraXA
Marchons
https://www.youtube.com/watch?v=iTiiWPll61k
Portugal e Brasil
https://www.youtube.com/watch?v=G6p8dyKG1XQ
Porto Sentido
O objectivo deste livro é expor,
a um nível intermédio, a teoria económica da política de estabilização e a utilização das receitas e despesas do sector público para influenciar o nível da produção e do emprego, o nível de preços e a balança de pagamentos. Pressupõe-se o conhecimento de matérias que habitualmente fazem parte de um curso introdutório de macroeconomia e alguma familiarização com a análise dos problemas económicos em termos matemáticos. No entanto, utilizam-se apenas técnicas matemáticas elementares.
O livro oferece aos interessados uma estrutura analítica para a tomada de decisões racionais visando a estabilização económica que procura ter em consideração alguns desenvolvimentos recentes da teoria macroeconómica, mas não examina como se chega às escolhas efectivas em matéria de receitas e despesas públicas. Estas são influenciadas pelos princípios da política económica, mas dependem também das preferências dos políticos que controlam o Governo e os burocratas. Para os leitores menos avisados, aqui fica uma afirmação significativa de um conhecido professor de economia que durante três anos foi Consultor Económico Chefe de um Ministério do Governo Inglês: «Os Ministros estão firmemente convencidos de que a política económica é demasiado importante para ser deixada aos economistas, tal como a condução da guerra é demasiado importante para ser deixada aos generais» (Alan Peacock, «Giving Economic Advice in Difficult Times», Three Banks Review, Março, 1977).
Este livro recolhe parte substancial do conteúdo do livro do autor Política Orçamental e Estabilização Económica, mas introduz-lhe alterações fundamentais.
...
Aníbal António Cavaco Silva
prefácio à 1ª edição (1981) da obra Finanças Públicas e Política Macroeconómica
Como se tornou diplomata?
Um dia fui a um café e encontrei um colega que era diplomata. Ele disse-me que havia um concurso e eu meti os papeis. Foi quase um desafio intelectual porque nem tinha muito tempo. O serviço militar começava às 13h e acabava às 19h. De manhã trabalhava na Ciesa- NCK, uma agência de publicidade, onde fazia uma análise ao modo como a imprensa tratava os temas da semana com algumas pessoas que mais tarde fundaram O Jornal: o José Silva Pinto, Manuel Beça Múrias, Cáceres Monteiro. Isto era vendido a empresas estrangeiras e embaixadas que queriam perceber a situação portuguesa. Fiz esse boletim até muito tarde – mesmo depois de entrar para o Ministério (risos).
No MNE alguém sabia disso?
Isto começou antes de ir para lá e era um auxílio importante para a minha vida. Fazia-o aos fins-de-semana. Mas julgo que o eventual crime já prescreveu [risos].
O seu exame de ingresso na carreira foi feito por Cavaco Silva?
Foi. Fez-me a prova de Economia Política. Correu-me mal. Baixei da escrita para a oral mas acho que ele foi extremamente justo e rigoroso. O tema não me era muito familiar: a integração europeia. Mal sabia que mais tarde chegaria a secretário de Estado dos Assuntos Europeus [risos]. Mas não fiquei bem classificado no meu concurso, fiquei em 13º. Quando comecei as provas pensei que não entrava. Mesmo depois de receber a carta a dizer que tinha sido admitido hesitei entre regressar à CGD ou ir para o MNE.
O que o fez optar?
A graça do MNE, não o salário. Na CGD ganhava bastante mais. O MNE era mais apelativo. Isto parece estúpido, mas na época tinha a esperança de que era possível ser diplomata sem ir para o estrangeiro. Havia a ideia de que se iam criar uns postos de especialistas em política externa em Lisboa. No início não me apetecia ir viver para o estrangeiro. De tal maneira que durante anos não concorri. Primeiro porque o salário que me pagavam na Ciesa NCK era bastante bom. Conseguia somá-lo ao do ministério. Depois por causa da profissão da minha mulher.
Ela acompanhou-o sempre?
Sim. Ela era assistente social e perdeu a carreira dela. Também está aposentada e sofreu em matéria de promoções e lugares de chefia por me acompanhar.
Francisco Seixas da Costa entrevistado no blog http://ntpinto.wordpress.com/author/ntpinto/page/59/
https://www.youtube.com/watch?v=xeelE4mgubo
Amartya Sen
As relações de propriedade
são uma espécie de relações de concessão de direitos.
É necessário compreender
os sistemas de concessão de direitos
dentro dos quais o problema da fome tem que ser analisado.
Isto aplica-se mais geralmente à pobreza como tal,
e mais especificamente também às fomes.
Uma relação de concessão de direitos aplicada à propriedade
liga um conjunto de propriedades a outro
através de certas regras de legitimidade.
É uma relação recursiva,
e o processo de ligação pode repetir-se.
Veja-se uma economia de mercado de propriedade privada.
Eu sou o proprietário deste pão.
Porque é que esta propriedade é aceite?
Porque eu o obtive por troca
através do pagamento de algum dinheiro
que era minha propriedade.
Porque é que é aceite a minha propriedade desse dinheiro?
Porque o obtive vendendo um guarda-chuva de bambu
que era minha propriedade.
Porque é que a minha propriedade do guarda-chuva de bambu é aceite?
Porque o fabriquei com o meu próprio trabalho,
utilizando algum bambu das minhas terras.
Porque é que a minha propriedade das terras é aceite?
Porque as herdei do meu pai.
Porque é que a propriedade dessas terras dele é aceite?
E assim sucessivamente.
Cada elo desta cadeia de relações de concessão de direitos
«legitima» um conjunto de propriedade
por referência a outro,
ou a algum direito básico na forma de
gozo dos frutos do próprio trabalho de uma pessoa.
Amartya Sen
Pobreza e Fomes - um ensaio sobre direitos e privações
Tradução de Freitas e Silva
1981
https://www.youtube.com/watch?v=mRMvbVTG1Qk
Detachment
https://www.youtube.com/watch?v=S49qvE86Qs0
Être et Avoir
https://www.youtube.com/watch?v=xBLbH6vRwk8
The Mission
https://www.youtube.com/watch?v=x2k-oo2TT-0
Into the Wild - Sean Penn
https://www.youtube.com/watch?v=zKkPOoydo5M
Os Jovens
https://www.youtube.com/watch?v=aoJGAUd6kWc
Fernando Peça
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