Thursday, 19 June 2014

Roleplaying




Hoje de manhã estive a ver 20 minutos de um programa na tv sobre namoro de adolescentes e parentalidade. Gostei de ver porque acho que clarifica as causas de violência ligeira no namoro (violência ligeira pode ser discussões aos gritos, mentiras, imposição de vontade, imposição de regras, rompimentos e reunificações recorrentes sem evolução de atitudes a curto-prazo) e impedir que as agressões piorem para situações graves e duradouras. O programa também tenta mostrar que o relacionamento entre pais e filhos pode ser frustrante mas não tem necessariamente de acabar num inferno doméstico em que já nem se consegue ter vontade de estar com as pessoas. 
Penso que o objectivo da produção é mostrar ao público que as relações conflituosas têm possibilidade de melhorar para relações de confiança se se fôr capaz de dar aos intervenientes voz daquilo que sentem ser para si preocupação. Escutá-los naquilo que sentem como frustrante e portanto inibidor do diálogo espontâneo. Mas escutá-los também naquilo que sentem que pode ser esperança para uma vida alternativa e melhor para todos simultaneamente.
Não penso que o programa procure explorar a curiosidade mórbida de telespectadores ignorantes que aceitam passivamente tudo o que lhes é dito porque entendi não haver abuso do culto da aparência, nem tentativa de explorar pormenores exóticos ou medíocres para aumentar a audiência. As pessoas não eram fantasticamente bem vestidas / maquilhadas / super-belas / super-feias / miseráveis, as casas também não eram espectacularmente maravilhosas / pobres / cheias de acessórios dispensáveis e cores quentes e frias para distrair a atenção de quem vê. Dada a insegurança do discurso dos intervenientes, deduzo que devam ser namorados reais e pais reais, mas a quem foram dados guiões com aquilo que devem dizer para que a situação se torne clara e possa ir de encontro a situações vividas pela audiência. Dessa maneira, os actores podem entender melhor as suas próprias atitudes, e quem vê pode identificar-se com a situação (ou não se identificar se, de facto, a sua situação é diferente).


Larry Crowne









Breakfast at Tiffany's




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