estavam lá os irmãos dela
Se o que começa se esforça, com o favor
de Deus, para chegar ao cume da perfeição, creio que jamais vai sozinho ao Céu;
sempre leva muita gente atrás de si; como a bom capitão, dá-lhe Deus quem vá em
sua companhia.
Teresa de Ahumada
Vida
1562
Peregrinar é, etimologicamente, viajar
rumo a um local sagrado ou sacralizado e, neste sentido, Fernão Mendes Pinto
foi um peregrino, um romeiro ao longínquo reino Chim, fonte de toda a sapiência
e justiça. O usufruto do conhecimento e da felicidade, mesmo que momentâneo,
requer o merecimento daquele que ousa ambicioná-lo. Para tal, o caminheiro
deverá ser submetido a duras provas, tais como a prisão, o roubo, o seu
afastamento daqueles que mais ama e, acima de tudo, a fúria dos elementos que
inadvertidamente castigam as gentes estrangeiras que, de ânimo leve, ousem
violar aqueles mares. E duras foram as provas prestadas por Mendes Pinto ao
longo de vinte e um anos de ausência da sua pátria e no decorrer dos quais foi
«treze vezes cativo, e dezassete vendido, nas partes da Índia, Etiópia, Arábia
Feliz, China, Tartária, Macáçar, Samatra, e outras muitas províncias daquele
oriental arcipélago, dos confins da Ásia». Graças apenas às provações sofridas
ao longo da sua difícil e morosa viagem iniciática, o indivíduo atingirá o
autoconhecimento e o entendimento do verdadeiro significado da vida. A
concretização deste processo é, aliás, a condição prévia e indispensável para
que o regresso se torne possível. Fernão Mendes Pinto regressa à Europa aos 22
de Setembro de 1558, sem qualquer outra fortuna para além da sua vivência.
Maria da Graça Orge* Martins
Apontamentos Europa-América explicam
Fernão Mendes Pinto – Peregrinação
1989
*não, não é Jorge
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