Sunday, 22 June 2014

as equipas








estavam lá os irmãos dela








































Se o que começa se esforça, com o favor de Deus, para chegar ao cume da perfeição, creio que jamais vai sozinho ao Céu; sempre leva muita gente atrás de si; como a bom capitão, dá-lhe Deus quem vá em sua companhia.

Teresa de Ahumada
Vida
1562




Peregrinar é, etimologicamente, viajar rumo a um local sagrado ou sacralizado e, neste sentido, Fernão Mendes Pinto foi um peregrino, um romeiro ao longínquo reino Chim, fonte de toda a sapiência e justiça. O usufruto do conhecimento e da felicidade, mesmo que momentâneo, requer o merecimento daquele que ousa ambicioná-lo. Para tal, o caminheiro deverá ser submetido a duras provas, tais como a prisão, o roubo, o seu afastamento daqueles que mais ama e, acima de tudo, a fúria dos elementos que inadvertidamente castigam as gentes estrangeiras que, de ânimo leve, ousem violar aqueles mares. E duras foram as provas prestadas por Mendes Pinto ao longo de vinte e um anos de ausência da sua pátria e no decorrer dos quais foi «treze vezes cativo, e dezassete vendido, nas partes da Índia, Etiópia, Arábia Feliz, China, Tartária, Macáçar, Samatra, e outras muitas províncias daquele oriental arcipélago, dos confins da Ásia». Graças apenas às provações sofridas ao longo da sua difícil e morosa viagem iniciática, o indivíduo atingirá o autoconhecimento e o entendimento do verdadeiro significado da vida. A concretização deste processo é, aliás, a condição prévia e indispensável para que o regresso se torne possível. Fernão Mendes Pinto regressa à Europa aos 22 de Setembro de 1558, sem qualquer outra fortuna para além da sua vivência.

Maria da Graça Orge* Martins
Apontamentos Europa-América explicam Fernão Mendes Pinto – Peregrinação

1989


*não, não é Jorge




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