...
Ruas da minha cidade
onde vingo as minhas asas.
O meu nome é liberdade
e moro em todas as casas.
...
Ruas da minha cidade
janelas do meu olhar
onde os pardais da amizade
à tarde vêm poisar.
Ruas da minha cidade
rasgadas por minha mão.
A gente passa à vontade
quando pisa o nosso chão.
Ruas da minha cidade
aonde eu quero morrer
com cravos de eternidade
dos meus olhos a nascer.
Joaquim Pessoa
Amor Combate, Lisboa, 1977
Os criados serviram o café.
E como havia já três longas horas que estavam à mesa,
todos se ergueram, acabando os charutos,
conversando,
na animação viva que dera o champanhe.
A sala, de tecto baixo,
com os cinco bicos de gás ardendo largamente,
enchera-se de um calor pesado,
onde se ia espalhando agora o aroma forte das chartreuses
e dos licores por entre a névoa alvadia do fumo.
Carlos e Craft, que abafavam, foram respirar para a varanda;
e aí recomeçou logo,
naquela comunidade de gostos que os começava a ligar,
a conversa da Rua do Alecrim sobre a bela colecção dos Olivais.
Craft dava detalhes; a coisa rica e rara que tinha
era um armário holandês do século XVI;
de resto, alguns bronzes, faianças e boas armas...
Eça de Queiroz
Os Maias - Episódios da Vida Romântica
1888
Bob Dylan
Miracle Drug U2
No comments:
Post a Comment