por António Damásio
2010
Quando vamos a pé para casa a pensar na solução de um problema e não no caminho que estamos a seguir, e mesmo assim chegamos a casa são e salvos, isso significa que aceitámos os benefícios de uma competência não-consciente adquirida graças a inúmeros exercícios conscientes anteriores, ao longo de uma curva de aprendizagem. Enquanto caminhávamos em direcção a nossa casa, a nossa consciência precisou apenas de controlar o objectivo geral da viagem. O remanescente dos nossos processos conscientes estava disponível para um uso criativo.
O mesmo em boa parte se aplica ao comportamento profissional dos músicos e dos atletas. O seu processamento mental está concentrado nos objectivos a alcançar, em determinadas marcas a atingir em determinadas épocas, em evitar perigos na execução e em detectar circunstâncias imprevistas. O resto é prática, prática, prática, a segunda natureza que nos pode levar até Carnegie Hall.
Por fim, a inter-relação cooperativa entre consciente e inconsciente também se aplica na íntegra aos comportamentos morais. Estes são um conjunto de competências adquiridas ao longo de práticas repetidas e ao longo de vastos períodos de tempo, com informação assente em princípios e motivos articulados de forma consciente, mas sendo em tudo o mais uma «segunda natureza» colocada no inconsciente cognitivo.
Em conclusão, aquilo a que nos referimos como deliberação consciente pouco tem a ver com a capacidade de controlar acções no momento, e tem tudo a ver com a capacidade de planear e decidir quais as acções que queremos ou não levar a cabo.
intenção + timbre + gesto
intenção + gesto
intenção + gesto
intenção + timbre + gesto
Usamos a deliberação consciente para reger
os nossos amores e amizades,
a nossa educação,
as nossas actividades profissionais,
as nossas relações com os outros.
2010
https://www.youtube.com/watch?v=sN710hB5F1Q
Victim Girl
https://www.youtube.com/watch?v=NRQifnaioeM
Guilty Girl
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