por António Damásio
2010
A situação que emerge dos factos e das reflexões anteriores é estranha e inesperada mas bastante libertadora.
Temos o corpo em mente porque isso nos ajuda a controlar o comportamento em qualquer situação que possa ameaçar a integridade do organismo e pôr a vida em causa. Essa função específica serve-se do mais antigo tipo de regulação vital baseada num cérebro. Remonta à simples transmissão de sinais entre o corpo e o cérebro, a um incitamento básico a reacções reguladoras automatizadas, concebidas para apoiar a gestão da vida. No entanto, temos simplesmente de ficar maravilhados com o que foi conseguido a partir de um tão humilde início. Um mapeamento corporal de extrema complexidade sustenta tanto o processo do eu nas mentes conscientes como a representação do mundo exterior ao organismo. O mundo interior garantiu-nos a possibilidade de conhecer não só esse mesmo mundo interior mas também o mundo que nos rodeia.
O corpo vivo é a arena deste processo. A regulação da vida é a necessidade e a motivação. O mapeamento cerebral é o capacitador, o motor que transforma a comum regulação vital em regulação mental e, eventualmente, em regulação mental consciente.
What do I feel?
Quando o macaco via o investigador a mover a mão,
certos neurónios do cérebro do macaco
relacionados com os movimentos da sua própria mão
tornavam-se activos,
«como se» fosse o animal e não o investigador
a levar a cabo a acção.
Na realidade, contudo, o macaco permanecia imóvel.
Jodie Foster
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