Monday, 20 October 2014

I don't care




A criança, sem referências a normas, a ética, a valores, tira daí as ilações óbvias - ser crescido é ser violento, forte, destrutivo, sem limites, como os heróis que lhes impingem.

https://www.youtube.com/watch?v=Gcj34XixuYg

Diz-nos a família: «Damos tudo aos nossos filhos! Não lhes falta nada!» Tudo é: comida, idas culturais ao supermercado aos domingos, presentes de «barbies» para as meninas e vários tipos de monstros-robôt para os rapazes. Tudo, menos o essencial - acompanhá-los, comunicar, dialogar, vê-los na sua interioridade.

Domina o fazer e o ter sobre o pensar, o parcial sobre o global, o racionalizar sobre o afectivo, o mecânico sobre o emocional.

...

Um rapaz dizia de si próprio: «Eu? Acho que sou uma baleia assassina. O meu pai? Vive com outra mulher e anda de moto. A mãe? Oh! A minha mãe é turista!» são marcas de ausência de referentes internos construtivos de uma estabilidade.


Teresa Ferreira
Em Defesa da Criança
2002



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