Sunday, 21 September 2014

Não interessa quem ganha




































Os negros, os magníficos exemplares da raça africana que mantiveram a sua pureza racial graças ao pouco apego que têm a tomar banho, viram os seus territórios invadidos por um novo exemplar de escravo: o português. E as duas velhas raças iniciaram uma dura vida em comum, povoada de discussões e mesquinhices de toda a índole. O desprezo e a pobreza unem-nos na luta quotidiana, mas o modo diferente de encarar a vida separa-os completamente; o negro, indolente e sonhador, gasta os seus pesitos em qualquer frivolidade ou em beber uns copos; o europeu herdou uma tradição de trabalho e de poupança que o persegue até este rincão da América e o incentiva a progredir, mesmo em detrimento das suas aspirações individuais.
Já as casas de cimento desapareceram totalmente e só os bairros de lata reinam nas alturas. Assomo-me a uma barraca: é uma divisão separada a meio por um tabique onde está o fogão e uma mesa; uns montões de palha no chão parecem constituir as camas; vários gatos esqueléticos e um cão sarnoso brincam com três negritos completamente nus. 























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