A voz inspirada do professor assumia uma sonoridade estranha quando falava dos seus índios, da raça aimara, outrora rebelde, que mantivera em xeque os exércitos do Inca, e caía em baixos profundos ao referir-se ao estado actual do nativo, idiotizado pela civilização e pelos seus companheiros impuros - seus inimigos acérrimos - os mestiços, que descarregam sobre eles todo o rancor da sua existência entre dois mundos. Falava da necessidade de criar escolas que orientem o indivíduo dentro da sociedade de que faz parte e o transformem num ser útil, da necessidade de mudar todo o sistema actual de ensino que, nas poucas oportunidades em que educa completamente um indivíduo (segundo o critério do homem branco), o devolve cheio de vergonhas e ressentimentos, inútil para servir os seus semelhantes índios e em grande desvantagem para lutar numa sociedade branca que lhe é hostil e não quer recebê-lo no seu seio. O destino desses infelizes é vegetar nalgum obscuro posto de trabalho da burocracia e morrer com a esperança de que algum dos seus filhos, por milagrosa acção da "gota" de sangue dos conquistadores que agora têm lhes corre nas veias, consiga chegar aos horizontes por que ele ansiou até ao último momento da vida.
https://www.youtube.com/watch?v=DfGs2Y5WJ14
Modern Times
Os bons professores
são inteligentes
esclarecem com gentileza
não complicam
riem
preocupam-se com a injustiça
produzem justiça
cumprem o horário
gostam dos pais que se interessam pelos filhos
defendem-se sem agredir
não se esquecem que já foram pequenos
ouvem música
exprimem-se claramente
funcionam bem em equipa
partilham a sala simples
não guardam, desafiam
Ladies and Tramps
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