Wednesday, 3 September 2014

vícios





























O caracol, coitado, é lento, hermafrodita, não tem malícia. 
É, portanto, estúpido. 
Tinha que ser, estava escrito na sua estrutura genética. 
E esta? 
Os meninos ingénuos, são estúpidos ou fazem-se? 
São estúpidos ou fazem-nos? 
Vamos então fazer a «educação sexual» 
para os tornar inteligentes? 
Se se entende por «educação sexual» criar, 
como fazem os heciculturistas, 
uma barreira eléctrica intransponível, 
ou como fazem os pedagogos intelectualistas 
uma barreira científica com o ensino da anatomia
 dos órgãos reprodutores, então, caracóis ou meninos, 
é como se criássemos caracóis. 
É educação para a ingenuidade e para a estupidez. 
Felizmente que os meninos não vão nisso, 
porque com barreiras intransponíveis 
não se criam pessoas inteligentes, 
e eles são-no potencialmente... 
Para se criarem pessoas inteligentes, 
é necessário o «quantum satis» da barreira. 
Barreiras que permitam a auto-repressão dos impulsos 
e que permitam, simultaneamente, 
que a imaginação funcione. 
O Joãozinho aprendeu aquela do 
«caracol, caracol, põe os pauzinhos a sol» 
e, depois, pôs-se a aplicar a receita:
 mal o Sol aparecia e o bichinho se saía com os corninhos
 cá para fora, zás!, dava-lhe com um pau nos ditos.

João dos Santos































another brick









Flashlight













No comments:

Post a Comment