O
caracol, coitado, é lento, hermafrodita, não tem malícia.
É, portanto,
estúpido.
Tinha que ser, estava escrito na sua estrutura genética.
E esta?
Os
meninos ingénuos, são estúpidos ou fazem-se?
São estúpidos ou fazem-nos?
Vamos
então fazer a «educação sexual»
para os tornar inteligentes?
Se se entende por
«educação sexual» criar,
como fazem os heciculturistas,
uma barreira eléctrica
intransponível,
ou como fazem os pedagogos intelectualistas
uma barreira
científica com o ensino da anatomia
dos órgãos reprodutores, então, caracóis ou
meninos,
é como se criássemos caracóis.
É educação para a ingenuidade e para a
estupidez.
Felizmente que os meninos não vão nisso,
porque com barreiras
intransponíveis
não se criam pessoas inteligentes,
e eles são-no
potencialmente...
Para se criarem pessoas inteligentes,
é necessário o «quantum
satis» da barreira.
Barreiras que permitam a auto-repressão dos impulsos
e que
permitam, simultaneamente,
que a imaginação funcione.
O Joãozinho aprendeu
aquela do
«caracol, caracol, põe os pauzinhos a sol»
e, depois, pôs-se a
aplicar a receita:
mal o Sol aparecia e o bichinho se saía com os corninhos
cá
para fora, zás!, dava-lhe com um pau nos ditos.
João
dos Santos
another brick
Flashlight
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