Resolvemos mudar de casa,
comovidos pelos pedidos das três filhas
do encarregado do edifício do quartel de bombeiros,
expoentes da graça da mulher chilena
que, feia ou linda,
tem um não sei quê de espontâneo, de fresco,
que cativa imediatamente.
A pobre metia dó. Respirava-se no quarto
esse odor acre do suor concentrado e pés sujos,
misturado ao pó de uns cadeirões, único luxo da casa.
Acrescentava ao seu estado asmático
uma regular descompensação cardíaca.
É nesses casos que o médico, consciente da sua total inferioridade frente ao meio, deseja uma mudança de coisas, algo que suprima a injustiça. Porque era evidente que a pobre velha trabalhara até ao fim do mês para ganhar o sustento, suando e penando, mas mantendo perante a vida uma atitude erecta. É que a adaptação ao meio faz com que nas famílias pobres um dos seus membros incapacitado para ganhar o sustento se veja rodeado de uma atmosfera de azedume mal dissimulado; nesse momento deixa-se de ser pai, mãe ou irmão para converter-se num factor negativo na luta pela vida e, como tal, objecto do rancor da comunidade sã, que atira a enfermidade à cara da pessoa, como se fosse um insulto pessoal aos que têm de mantê-la. É nesses últimos momentos da gente cujo horizonte mais longínquo foi sempre o dia de amanhã, que se capta a profunda tragédia que encerra a vida do proletariado de todo o mundo; há nesses olhos moribundos um submisso pedido de desculpas e também, muitas vezes, um pedido de consolo que se perde no vazio, como em breve se perderá o seu corpo na magnitude do mistério que nos rodeia. Até quando prosseguirá esta ordem de coisas, baseadas num absurdo sentido de casta, é algo que não está em meu poder responder.
"Why you crying, girl?"
Constantine asked me, in the kitchen.
I told her what the boy had called me,
tears streaming down my face.
"Well? Is you?"
I blinked, paused my crying. "Is I what?"
"Now you look a here, Eugenia"
- because Constantine was the only one
who'd occasionally follow Mama's rule.
"Ugly live up on the inside.
Ugly be a hurtful, mean person.
Is you one a them peoples?"
"I don't know. I don't think so," I sobbed.
Constantine sat down next to me, at the kitchen table.
I heard the cracking of her swollen joints.
She pressed her thumb hard in the palm of my hand,
something we both knew meant
Listen. Listen to me.
"Ever morning, until you dead in the ground,
you gone have to make this decision."
Constantine was so close,
I could see the blackness of her gums.
" You gone have to ask yourself,
Am I gone believe what them fools say about me today?"
She kept her thumb pressed hard in my hand.
I nodded that I understood.
I was just smart enough to realize she meant white people.
And even though I still felt miserable,
and knew that I was, most likely, ugly,
it was the first time she ever talked to me
like I was something besides my mother's white child.
All my life I'd been told what to believe
about politics, coloreds, being a girl.
But with Constantine's thumb pressed in my hand,
I realized I actually had a choice in what I could believe.
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