Sunday, 10 August 2014

a pequena criminalidade infantil urbana





































































































Começa a tocar uma sonata de Mozart.
Os camaleões vão-se acumulando, uma dúzia, mais uma dúzia, a maior parte deles verdes, alguns escarlates, cor de alfazema. Precipitaram-se através do terraço e apinharam-se no salão, um auditório sensível e absorvido pela música tocada. E logo não tocada, pois, de repente, a minha anfitriã levantou-se, bateu o pé, e os camaleões dispersaram, como as faíscas de uma estrela que explode.

Só aceitava profissionais como alunos e, em geral, apenas profissionais que já eram «estrelas» - Katharine Hepburn era sua aluna permanente; outra Hepburn, Audrey, era uma das protégées de Collier, como, aliás, o foram Vivien Leigh e, durante alguns meses antes da sua morte, uma neófita, à qual Miss Collier se referia como «o meu problema especial»
O que ela tem, aquela presença, aquela luminosidade, aquela inteligência vacilante – nunca poderia sobressair no palco. É tão frágil e subtil, que só pode ser apanhado pela câmara. É como um colibri em voo: só a câmara pode congelar-lhe a poesia.

N – Não quero falar com ninguém. Nunca sei o que hei-de dizer.
TC – Então ficas aqui sentada e eu espero lá fora. Preciso de fumar um cigarro.
N – Não podes deixar-me sozinha! Meu Deus! Fuma aqui.
TC – Aqui? Na capela?
N – Porque não! O que é que queres fumar? Um charro?













 




Candle In The Wind





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