Começa
a tocar uma sonata de Mozart.
Os
camaleões vão-se acumulando, uma dúzia, mais uma dúzia, a maior parte deles
verdes, alguns escarlates, cor de alfazema. Precipitaram-se através do terraço
e apinharam-se no salão, um auditório sensível e absorvido pela música tocada.
E logo não tocada, pois, de repente, a minha anfitriã levantou-se, bateu o pé,
e os camaleões dispersaram, como as faíscas de uma estrela que explode.
Só
aceitava profissionais como alunos e, em geral, apenas profissionais que já
eram «estrelas» - Katharine Hepburn era sua aluna permanente; outra Hepburn,
Audrey, era uma das protégées de Collier, como, aliás, o foram Vivien Leigh e,
durante alguns meses antes da sua morte, uma neófita, à qual Miss Collier se
referia como «o meu problema especial»
O
que ela tem, aquela presença, aquela luminosidade, aquela inteligência
vacilante – nunca poderia sobressair no palco. É tão frágil e subtil, que só
pode ser apanhado pela câmara. É como um colibri em voo: só a câmara pode
congelar-lhe a poesia.
N –
Não quero falar com ninguém. Nunca sei o que hei-de dizer.
TC
– Então ficas aqui sentada e eu espero lá fora. Preciso de fumar um cigarro.
N –
Não podes deixar-me sozinha! Meu Deus! Fuma aqui.
TC
– Aqui? Na capela?
N –
Porque não! O que é que queres fumar? Um charro?
Candle In The Wind
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