Se a rotina
por si só não o conseguir, o Homem pode ultrapassar o seu desespero
inconsciente através da rotina do divertimento, do consumo passivo de sons e
imagens oferecidos pela indústria do lazer, ou através da satisfação de comprar
constantemente coisas novas e de as trocar rapidamente por outras. O Homem
moderno está muito próximo daquilo que Aldous Huxley descreve em O Admirável Mundo Novo: pessoas bem
alimentadas, bem vestidas, sexualmente satisfeitas, mas sem qualquer
identidade, mantendo apenas um contacto superficial umas com as outras, guiadas
por slogans como aqueles que Huxley
formulou de modo tão sucinto, como, por exemplo: «A sensação individual
desequilibra a comunidade»; ou «Nunca deixes para amanhã o divertimento que
podes ter hoje» ou, mais ainda, «Toda a gente é feliz hoje em dia». A
felicidade do Homem consiste em divertir-se. E divertir-se consiste em consumir
e aproveitar matérias-primas, paisagens, comida, bebidas, cigarros, pessoas,
conferências, livros, filmes – tudo é consumido e engolido. O mundo é apenas um
objecto do nosso apetite, uma enorme maçã, um enorme biberão, um enorme seio;
nós somos como bebés, num estado de eterna expectativa, somos os esperançosos –
e somos também eternamente desiludidos. O nosso carácter está programado para
trocar e para receber, para negociar e consumir; tudo, dos objectos materiais
aos espirituais, se transforma num objecto de troca e de consumo. A situação
no que diz respeito ao amor corresponde, necessariamente, a este carácter
social do Homem moderno. Os autómatos não sabem amar; podem apenas trocar a sua
«programação de personalidade» e esperar ter mais sorte com o produto novo.
o marido
deve «compreender» a mulher e ajudá-la. Ele deve elogiar a sua roupa e os seus
cozinhados. Ela, por sua vez, deve compreender quando ele chega a casa cansado
e mal disposto, deve ouvir com simpatia quando ele fala dos seus problemas no
trabalho, deve ser compreensiva e não se deve zangar quando ele se esquece do
seu aniversário. Tudo isto resulta no tipo de relação bem ordenada entre dois
indivíduos que são perfeitos desconhecidos as suas vidas inteiras
Erich Fromm .1956
e seus olhos
pareciam uma chama de fogo
os pés
tinham o aspecto do bronze quando está incandescente no forno
e sua voz
era como o estrondo de águas torrenciais
na mão
direita ele tinha sete estrelas
e de sua
boca saía uma espada afiada com dois gumes
sua face era
como o sol quando brilha com todo o seu esplendor
ao vê-lo caí
como morto a seus pés
ele porém colocou
a mão direita sobre mim assegurando
não temas
o apocalipse
.95
message of
love – the pretenders
machkal – k.
mouzanar
paso doble
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