COMPLEXO DE ÉDIPO
all the problems all the fears
Acontece,
muitas vezes, ser esta primeira crise
de oposição contra o meio
assinalada por
diversas perturbações afectivas:
hostilidade do rapaz contra o pai,
acompanhada
de um amor exclusivista pela mãe,
e dum sentimento mais ou menos vago de
culpabilidade
(e inversamente na rapariga).
É isto o que se convencionou chamar
o «complexo de Édipo».
Tais sentimentos serão tanto mais vincados,
quanto mais
rude e autoritário for o pai
e mais fraca for a mãe:
um e outro têm de manter o
justo equilíbrio
entre a severidade e o «deixar correr».
Mas o pai deve
permanecer firme
e a mãe terna:
a inversão dos papéis é uma anomalia
que não ajuda
ao equilíbrio da criança.
Ao
mesmo tempo, ou pouco depois,
a criança costuma manifestar para com os irmãos e
irmãs
um sentimento de inveja, por vezes vincado
(brincadeiras, lugar no colo
da mamã, etc.).
Esta inveja, mais ou menos misturada com sentimentos
de
inferioridade,
é aumentada muitas vezes pelas troças
ou brutalidades dos mais
velhos
ou pelas aptidões e êxitos mais fáceis dum mais novo,
mais bem dotado.
É, além disso, é frequente os pais agravarem
esses conflitos com ralhos
despropositados
ou com preferências por um ou por outro filho.
O perigo destas
coisas é que as dificuldades afectivas
permanecem muitas vezes escondidas
e são
interiorizadas pela criança,
que sentiu confusamente, com razão ou sem ela,
a
culpabilidade desses impulsos hostis.
Manifestações
anormais deste tipo são muito frequentes
e não devem espantar-nos;
mas devem
desaparecer, também, rapidamente.
São geralmente «liquidadas»,
compensadas, por
uma ternura maior,
mas não isenta de firmeza diante dos caprichos,
pela
prudência
e pela mais estrita equidade na distribuição dos mimos
por todos os
irmãos e irmãs.
No
entanto, é desde os três ou quatro anos
que é preciso fazer com que a criança
aceite,
sem inveja,
o princípio de que, na família,
não devem ser todos
tratados da mesma maneira:
dar-se-á chocolate ao Pedrito (6 anos)
e não ao
Joãozinho (3 anos)
porque lhe faria mal.
Dar-se-á uma porção maior ao Nuno (12
anos)
do que ao Pedrito...
Em resumo, deve educar-se, desde pequeninos,
o
sentido da equidade,
mais do que o sentido da igualdade.
Guy
Jacquin
A
Psicologia da Criança – Linhas Fundamentais
1949
Dona Palmira Peres
Educação Visual
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