1619-1655
Rostand, 1898
Comecei
a escrever quando tinha oito anos
- a
partir do nada, sem me inspirar em qualquer exemplo.
Nunca
conheci ninguém que escrevesse;
na
realidade, conhecia poucas pessoas que lessem.
Mas
o facto era que as quatro únicas coisas que me interessavam eram:
ler
livros, ir ao cinema, fazer sapateado e desenhar.
Certo
dia, comecei a escrever, sem saber que me tinha acorrentado a um senhor,
sem
dúvida nobre, mas inclemente.
...
Era
extremamente divertido ao princípio.
Deixou
de o ser quando descobri a diferença
entre escrever bem
e
escrever mal.
Fiz,
então, uma descoberta mais alarmante; a diferença entre
escrever muito bem
e a
verdadeira arte;
é
subtil, mas cruel.
E,
depois disso, caiu o chicote*.
Tal
como algumas pessoas praticam piano ou violino
quatro ou cinco horas por dia,
assim
eu brincava com os meus papéis e canetas.
...
Havia
tanto a aprender e de tantas fontes:
não
apenas nos livros, mas na música, na pintura
e
na simples observação das coisas de todos os dias.
...
Por
altura dos meus dezassete anos, eu era um escritor feito.
Se
tivesse sido pianista,
seria
a altura para o meu primeiro concerto público.
Atendendo
à realidade, decidi que estava pronto para publicar.
...
Com
efeito, muita gente atribuiu o êxito comercial do romance à fotografia**.
Outros
pensavam no livro como se fosse um acidente bizarro:
«Estranho
que um tipo tão novo escreva assim tão bem.»
Estranho?
Não
fizera outra coisa senão escrever, de manhã à noite, durante catorze anos!
...
Numa
história de Henry James, creio que The
Middle Years, a sua personagem, um escritor nas sombras da maturidade,
lamenta: «Vivemos no escuro, fazemos o que podemos, o resto é a loucura da
arte.» Ou coisa que o valha. De qualquer modo, Mr. James põe ali o dedo na
ferida. Diz-nos a verdade. E a parte mais escura do escuro, a parte mais louca
da loucura, é o jogo implacável que isso envolve. Os escritores, pelo menos
aqueles que correm riscos autênticos, que estão dispostos a tudo e tudo
arriscam, têm muito em comum com outra casta de homens solitários – os tipos
que ganham a vida a jogar o bilhar americano e a dar cartas.
*
... mas inclemente. Quando Deus nos concede um dom, dá-nos também um chicote; e
esse chicote destina-se unicamente à autoflagelação.
**
fotografia exótica do autor na sobrecapa do romance Other Voices, Other Rooms.
The World
Além de produzir e poupar,
uma terceira obrigação da classe operária é a de se organizar.
Não de se organizar da maneira tradicional,
classe contra classe,
mas de se organizar de maneira a melhor servir a revolução,
o povo e a classe operária pois,
por exemplo, a diferença entre os camponeses e os operários deve desaparecer.
Há já um grupo de 300 000 trabalhadores agrícolas que vão trabalhar a terra com métodos mais mecanizados.
O seu trabalho torna-se mais técnico,
e é deste modo que todos se tornam operários
- todos os que estão directamente relacionados com a produção.
É preciso fazermos exactamente o contrário daquilo a que estávamos habituados.
O nosso círculo imediato era o mais importante:
o sindicato, o quarteirão, a família e o indivíduo.
Dantes, o indivíduo era o mais importante.
Hoje, a nação, a totalidade do povo,
são mais importantes que o indivíduo.
Devemos considerar-nos a nós próprios como o que há de menos importante,
como a menos importante peça da máquina,
mas devemos funcionar bem.
Devemos estar prontos a sacrificar toda a vantagem pessoal
ao bem colectivo.
Cada grupo humano é mais importante que o indivíduo.
...
O conjunto dos trabalhadores é mais importante que um só trabalhador.
É uma questão que deve ser compreendida.
Devemo-nos organizar para mudar uma mentalidade criada no passado.
...
A sua função não é gritar mais alto que o patrão
ou impor medidas absurdas no quadro do sistema de produção,
tais como a atribuição de salários a pessoas que não trabalham.
Se um operário é pago sem o ter ganho,
conspira contra a nação e contra ele próprio.
...
Conhecer perfeitamente a sua máquina,
repará-la e aperfeiçoá-la se possível.
Deveis conhecer a vossa máquina,
a vossa oficina,
a vossa secção,
e todo o sistema de produção.
É um dever e um direito a reclamar à vossa administração.
...
Dirigir uma grande fábrica não é a mesma coisa que ser operário dela.
Vêem-se os problemas numa perspectiva diferente.
...
O administrador deve deslocar-se ao local de trabalho do operário
e o operário ao gabinete do administrador,
o operário e o administrador devem trocar os seus pontos de vista,
de modo a que os dois vejam o processo à mesma luz.
Assim, veriam todos os aspectos dos problemas
e os problemas seriam resolvidos
- e veríeis que grande número das reivindicações feitas actualmente pelos operários
seriam retiradas.
Há certas fábricas que são já controladas pelo Estado.
Numa delas, por exemplo, um operário descobriu um sistema de produção mais eficaz, e o seu contramestre impediu-o de produzir mais.
Não considero isso traição, mas é uma falsa interpretação da situação,
uma falsa interpretação do movimento revolucionário.
Deve ficar claro que a história tornou ultrapassadas as velhas maneiras de pensar.
Devemos pensar de maneira nova.
Devemos utilizar o cérebro e analisar cada problema que se põe.
Devemos analisar com espírito claro todos os nossos problemas.
...
A nossa tarefa é encontrar o melhor caminho e explicá-lo.
O dever do povo é ajudar-nos a encontrar este caminho
e contribuir com todos os seus esforços para um avanço rápido.
O povo deve corrigir os nossos erros de modo construtivo.
...
Significaria um aumento anual de 7% do poder de compra das pessoas.
Na América Latina, a taxa de crescimento anual do rendimento per capita
situa-se entre 1 e 2%, e em certos países esta taxa é negativa.
Por outras palavras, o nosso desenvolvimento seria assim extremamente acelerado,
e sê-lo-á mais ainda na medida em que cada um compreenda absolutamente os seus deveres.
18.06.1960
Producers
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