FUN
Minha
caríssima Madre,
A
vossa prudência soube descobrir a vontade de Deus, e, da parte d’Ele,
proibistes às vossas noviças que pensassem agora em deixar o berço da sua
infância religiosa. Mas, as aspirações delas bem as compreendíeis, pois vós
mesma, minha Madre, pedistes na vossa juventude para ir para Saigão; é assim
que muitas vezes os desejos das mães encontram eco na alma das suas filhas. Oh!
minha querida Madre! o vosso desejo apostólico encontra na minha alma, como
sabeis, um eco muito fiel. Deixai-me confiar-vos por que é que desejei e desejo
ainda, se a Santíssima Virgem me curar, trocar por uma terra estranha, o
delicioso oásis onde vivo tão feliz sob o vosso olhar maternal.
É
preciso, minha Madre, (como me dissestes) uma vocação muito especial, para
viver em Carmelos estrangeiros; muitas almas pensam ser chamadas para lá, sem o
serem de facto. Dissestes-me também que eu tinha essa vocação, e que só a minha
saúde era obstáculo. Sei bem que esse obstáculo desapareceria se Deus me
chamasse para longe, e por isso vivo sem nenhuma inquietação. Se um dia tivesse
que deixar o meu querido Carmelo, ah! não seria sem sofrimento! Jesus não me
deu um coração insensível, e é precisamente por ele ser capaz de sofrer que
desejo que dê a Jesus tudo quanto puder dar. Aqui, caríssima Madre, vivo sem nenhuma preocupação com os cuidados
da miserável terra, tendo apenas que cumprir a agradável e fácil missão que me
confiastes. Aqui estou cumulada das
vossas atenções maternais. Não sinto a pobreza, pois nunca me faltou nada. Mas,
sobretudo, aqui sou amada, por vós e
por todas as Irmãs, e esta afeição é-me muito grata. Eis porque sonho com um
convento onde fosse desconhecida, onde tivesse que sofrer a pobreza, a falta de
afecto, enfim, o exílio do coração.
Thérèse
Martin
Manuscrito
C
1896
«Meu pai diz que me vai encerrar num convento,
por tua causa. Sofrerei tudo por amor de ti.
Não me esqueças tu, e achar-me-ás no convento, ou no Céu,
sempre tua do coração, e sempre leal. Parte para Coimbra.
Lá irão dar as minhas cartas; e na primeira te direi
em que nome hás-de responder à tua pobre Teresa.»
Camilo Castelo Branco
Amor de Perdição
1861
Anúncio, na Revista Universal Lisbonense, da colocação à venda
do tomo I da edição das Viagens
VIAGENS NA MINHA TERRA
POR
ALMEIDA GARRETT
Publicou-se o 1.º volume desta obra interessante, que a RE-
VISTA tem dado em capítulos. Vende-se em Lisboa, no escritório
da REVISTA, rua dos Fanqueiros n.º 82, na loja da viúva Hen-
riques, rua Augusta n.º 1, e nas mais que se anunciarem - Preço
480 rs.
[Revista Universal Lisbonense, vol. V, n.º34, 12-II-1846, p.408]
U2
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