Tuesday, 26 August 2014

incluir - não impor não inspiração



FUN






























Minha caríssima Madre,

A vossa prudência soube descobrir a vontade de Deus, e, da parte d’Ele, proibistes às vossas noviças que pensassem agora em deixar o berço da sua infância religiosa. Mas, as aspirações delas bem as compreendíeis, pois vós mesma, minha Madre, pedistes na vossa juventude para ir para Saigão; é assim que muitas vezes os desejos das mães encontram eco na alma das suas filhas. Oh! minha querida Madre! o vosso desejo apostólico encontra na minha alma, como sabeis, um eco muito fiel. Deixai-me confiar-vos por que é que desejei e desejo ainda, se a Santíssima Virgem me curar, trocar por uma terra estranha, o delicioso oásis onde vivo tão feliz sob o vosso olhar maternal.

É preciso, minha Madre, (como me dissestes) uma vocação muito especial, para viver em Carmelos estrangeiros; muitas almas pensam ser chamadas para lá, sem o serem de facto. Dissestes-me também que eu tinha essa vocação, e que só a minha saúde era obstáculo. Sei bem que esse obstáculo desapareceria se Deus me chamasse para longe, e por isso vivo sem nenhuma inquietação. Se um dia tivesse que deixar o meu querido Carmelo, ah! não seria sem sofrimento! Jesus não me deu um coração insensível, e é precisamente por ele ser capaz de sofrer que desejo que dê a Jesus tudo quanto puder dar. Aqui, caríssima Madre, vivo sem nenhuma preocupação com os cuidados da miserável terra, tendo apenas que cumprir a agradável e fácil missão que me confiastes. Aqui estou cumulada das vossas atenções maternais. Não sinto a pobreza, pois nunca me faltou nada. Mas, sobretudo, aqui sou amada, por vós e por todas as Irmãs, e esta afeição é-me muito grata. Eis porque sonho com um convento onde fosse desconhecida, onde tivesse que sofrer a pobreza, a falta de afecto, enfim, o exílio do coração.


Thérèse Martin
Manuscrito C
1896




«Meu pai diz que me vai encerrar num convento,
por tua causa. Sofrerei tudo por amor de ti.
Não me esqueças tu, e achar-me-ás no convento, ou no Céu,
sempre tua do coração, e sempre leal. Parte para Coimbra.
Lá irão dar as minhas cartas; e na primeira te direi
em que nome hás-de responder à tua pobre Teresa.»

Camilo Castelo Branco
Amor de Perdição
1861





Anúncio, na Revista Universal Lisbonense, da colocação à venda
 do tomo I da edição das Viagens


VIAGENS NA MINHA TERRA
POR 
ALMEIDA GARRETT

Publicou-se o 1.º volume desta obra interessante, que a RE-
VISTA tem dado em capítulos. Vende-se em Lisboa, no escritório 
da REVISTA, rua dos Fanqueiros n.º 82, na loja da viúva Hen-
riques, rua Augusta n.º 1, e nas mais que se anunciarem - Preço 
480 rs.


[Revista Universal Lisbonense, vol. V, n.º34, 12-II-1846, p.408] 




U2





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