Saturday, 26 July 2014

egocentrismo e egoísmo



Na ordem da afectividade como na da inteligência,
a criança é egocêntrica.
Isto não significa que submeta tudo, conscientemente, a si própria (egoísmo), mas que pensa e age como se fosse o centro do mundo: egocentrismo.

Esta tendência é natural, espontânea e explicável: ela só pôde fazer as suas primeiras aprendizagens partindo dela própria, isolada como estava na sua impotência de recém-nascida. Fez pouco a pouco a descoberta do mundo adulto, em círculos concêntricos, cada vez mais amplos. Isto na ordem intelectual. Na ordem afectiva, foi habituada, desde o princípio, a ser servida, a receber a afeição dos seus pais, ao mesmo tempo que os seus cuidados; daí o choque afectivo quando nasce um irmãozinho: «Mamã dá o maninho à senhora», e a inveja do mais velho.

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Quando uma criança, até aos 6 ou 7 anos, relata qualquer coisa, não se nota nela o cuidado de se fazer compreender. Fala como para si mesma, porque não imagina que os outros possam não compreender as suas palavras e porque (até aos 9 ou 10 anos) não penetra suficientemente no pensamento dos outros para poder adaptar-lhe a sua linguagem. Em resumo, há um contacto deficiente.

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Ao contrário do egoísmo, o egocentrismo não exclui a generosidade.

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Há que favorecer esta descoberta do mundo material e humano, que a pouco e pouco fará sair a criança de si mesma. A regressão do egocentrismo é natural; devemos contudo ter cuidado em a facilitar, porque o ambiente actual não lhe é propício.


Guy Jacquin
Grandes Lignes de la Psychologie de l'Enfant
1949














https://www.youtube.com/watch?v=SRdcSXVqO2I



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