Friday, 11 July 2014

Estilo







Para se chegar a uma avaliação provisória do valor de um escritor, não é necessário conhecer o que ou em que ele pensou, porque isso exigiria que se lesse tudo o que ele escreveu; basta, à primeira vista, saber como ele pensou. Ora, uma sensação exacta desse como do seu pensamento, da sua natureza essencial e qualidade prevalecente é-nos fornecida pelo seu estilo. Porque isso revela a natureza formal de todos os pensamentos de uma pessoa, que deve permanecer sempre igual, independentemente daquilo que ou em que ela pensa. É, pois, a massa de que ele molda todas as suas figuras, por muito diversas que elas sejam.


A primeira regra, que, na verdade, é por si só condição suficiente para um bom estilo, é ter qualquer coisa para dizer.

A verdade é mais bela quando nua, e, quanto mais simples for a sua expressão, mais profunda será a sua influência. (...) E é isso que explica o poderoso efeito de muitas canções populares. Tudo o que é supérfluo é prejudicial.

Aqueles que compõem discursos difíceis, obscuros, embrulhados e ambíguos não sabem realmente o que querem dizer: têm apenas uma vaga consciência daquilo que está a esforçar-se por ser um pensamento: no entanto, é frequente tentarem ocultar de si próprios e dos outros que, na verdade, nada têm para dizer.























































































































Nenhuma qualidade literária - capacidade de persuasão, por exemplo, ou riqueza das imagens, talento para as metáforas, ousadia, adstringência, concisão, graciosidade, facilidade de expressão, espírito, contrastes notáveis, laconismo, simplicidade - poderá ser adquirida através da leitura de obras de escritores que a revelam. Mas quem já possui uma dessas qualidades como tendência natural, isto é potentia, poderá, ao ler, invocá-la para si, tomar consciência dela, ver o que poderá fazer com ela, fortalecer a sua tendência, ganhando coragem para a utilizar e avaliando a sua eficácia, aprendendo assim como servir-se dela correctamente: e só assim a possuirá actu. Esta é, pois, a única forma por que a leitura poderá ensinar-nos a escrever: instituindo-nos no emprego que poderemos fazer dos nossos próprios dons naturais; portanto, só pode instruir-nos no caso de possuirmos esses dons. Se não os possuirmos, nada poderemos aprender através da leitura, excepto frios maneirismos mortos e a possibilidade de nos tornarmos superficiais imitadores.



1788-1860





O meu novelo, filha:
não posso estar sem fazer nada,
faz-me mal.

Conversemos, avó.

Pois conversemos;
mas dá-me o meu novelo.
Não sei o que é,
mas quando não trabalho eu,
trabalha não sei o quê em mim
que me cansa ainda mais.


1799-1854


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