Thursday, 10 July 2014

«o pai bateu-me»







A nossa opinião pessoal forjou-se graças ao que se chama
a clínica, ou seja, o estudo mais objectivo possível dos comportamentos, dos discursos que os sustentam e, sobretudo, da sua evolução, graças a um recuo de mais de vinte e cinco anos.

Os pais de hoje tentam conciliar a vida moderna com as obrigações familiares. Estão abertos à evolução da sociedade: são cada vez menos machistas; as mães têm medo dos poderes que lhes são atribuídos.

... por vezes isso provoca na criança uma perda dos limites, uma vez que ela é bastante «retrógrada». Claro que as crianças têm um imenso poder de adaptação e são capazes de se moldar a todas as situações. Mas a criança precisa de infância; aliás, uma maturidade demasiado grande pode esconder uma carência afectiva. Ela precisa de pais que ocupem o seu lugar de pais. É mesmo em função disso que ela aprende a desejar. Ora, esse lugar não é permutável, é o que este livro tentará dizer. O pai não é uma espécie de repetição da mãe. Os pais estão muitas vezes conscientes disso, mas, se o modo de vida actual induz uma igualação de papéis, isso implica que eles se mantenham firmes quanto à diferença das funções, mesmo se estas funções já não são confundidas com o sexo. Se duas pessoas são necessárias para a procriação de um filho, duas pessoas são igualmente necessárias para o educar. Mas duas pessoas por inteiro, que, uma e outra, tenham em conta e respeitem uma hierarquia formal para ajudar a criança a situar-se em relação a elas.


A proibição tem má reputação,
provavelmente porque misturamos tudo:
a proibição,
a repressão,
o castigo,
a frustração
e até os maus tratos.


Passamos assim da proibição à autoridade
e é aí que todo o problema reside.
A proibição verbaliza-se,
a autoridade é natural.
Mas não há autoridade sem verbalização,
por mínima que seja.


Estas duas crianças estão de boa saúde física e psíquica.
Têm vontade de aprender na escola,
onde se apresentam com gosto.
Porém, nos dois casos, os pais sentem-se ultrapassados
e a vida em casa é uma espécie de inferno.
Que acontece então nestas famílias?
Que se pode fazer?
Os pais gritam quando estão arrasados
e, quando esgotam a paciência,
distribuem bofetadas ou palmadas.
Não se trata, aqui, de procurar 
quem é responsável,
mas de saber o que é que 
torna a vida tão difícil a estes pais.


O pai de Cyril é o 3º de uma família de 3 rapazes
e o seu pai era extremamente severo, 
utilizando frequentemente o martinet;
quanto à sua mãe, era de uma frieza tal,
que ele ainda fala disso com lágrimas nos olhos.



Voltou-se para o marido e pediu-lhe que
«fizesse qualquer coisa»,
mas este não sabe castigar.
Então, tentou ela resolver o problema sozinha,
porque, quando o marido reage,
ela acha-o demasiado violento.
A criança é exigente, vingativa, colérica
e ganha sempre com isso.
Tem 8 anos.
«O pai bateu-me e partiu-me um dente.»
De facto, nesse dia, o pai dera uma palmada no rabo
a Baptiste, porque ele fizera cair o seu irmão
...
para se desviar da palmada,
Baptiste bateu com a boca num móvel.


Patrick Delaroche
Parents, Osez Dire Non!
1996
traduzido por Maria Laura Matos e José Maria Silva



God of Carnage
Roman Polanski


Revolution



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