não é pequena lástima e confusão que
por nossa culpa
não nos entendamos a nós mesmos
nem saibamos quem somos
não seria grande ignorância
minhas filhas
que perguntassem a alguém quem era
e não se conhecesse
e assim só a vulto sabemos que temos alma
porque o ouvimos
e porque nos diz a fé
há almas tão enfermas
e tão habituadas às coisas exteriores
o costume de tratarem sempre com as sevandijas
e alimárias que estão à roda do castelo
que já quase se tornaram como elas
exemplos de alimárias
exemplos de sevandijas
por não voltarem a cabeça para si mesmas
a porta para entrar neste castelo é a oração e reflexão
não digo mais mental que vocal
com Quem se fala
e o que se pede
e quem é que pede
e a Quem
não lhe chamo eu oração
embora muito meneie os lábios
nestas primeiras moradas
ainda não chega quase nada da luz
que sai do palácio onde está o Rei
mas porque entraram com a alma
tantas coisas más de cobras e víboras e coisas peçonhentas
que não a deixam reparar na luz
o aposento está claro
mas ela não o goza
pelo impedimento destas feras e alimárias
que lhe fazem cerrar os olhos
para não ver senão a elas
está tão metida em coisas do mundo
e tão embebida com sua fazenda ou honra ou negócios
para entrar nas segundas moradas
o que aqui pretende o demónio
não é pouco
é esfriar a caridade
e o amor de umas para com as outras
o que seria grande dano
toda a nossa regra e constituições
não servem para outra coisa
deixemo-nos de zelos indiscretos
cada uma olhe para si mesma
como fica com estes desejos e virtudes
todo o tempo em que perdura no bem
faz aproveitar a outras almas
e de seu calor
lhes comunica calor
quereria ter mil vidas
para as empregar todas em Deus
e que todas quantas coisas há na terra
fossem línguas para O louvar por ela
que nos pode dar maior contento?
e ajudem-nos todas as criaturas
127 hours
Jai Ho
La Nuit
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