Saturday, 12 July 2014

Um Paísito Qualquer de África - P.Q.A.








Mantém-lhe tudo nublado no espírito por agora
e terás toda a eternidade para te divertires,
provocando nele o tão peculiar tipo de clareza
que o Inferno proporciona.
Trabalha pois arduamente para o desapontamento
ou anticlímax que certamente se apoderará do paciente
durante as suas primeiras poucas semanas
como frequentador da igreja.


Belfast, 1898 - Oxford, 1953


















































































Money










 
 
 
 
 





















Os autores podem ser divididos em meteoros, planetas e estrelas fixas. Os primeiros produzem um efeito momentâneo: erguemos o olhar, gritamos: «Olhem!» - e desaparecem para sempre. Os segundos, as estrelas móveis, duram muito mais tempo. Em virtude da sua proximidade, chegam a brilhar mais do que as estrelas fixas, que os ignorantes confundem com elas. (...) Só os terceiros são imutáveis, mantêm-se firmes no firmamento, brilham com luz própria e influenciam todas as eras por igual, pois o seu aspecto não se altera quando se altera o nosso ponto de vista, dado que não têm paralaxe*. Ao contrário dos outros, não pertencem a um único sistema (nação): pertencem ao Universo. Mas é precisamente por estarem tão alto que a sua luz leva geralmente tantos anos a chegar aos olhos dos 
habitantes da Terra.


* quanto mais distante está o objeto, menor é a paralaxe.

Há uma multidão de maus escritores
que vivem exclusivamente do estúpido desejo do público
de ler apenas aquilo que acaba de sair:
os jornalistas. Deviam antes ser «jornaleiros»,
trabalhadores contratados ao dia.

O anonimato,
esse escudo para todos os tipos de canalhices literárias,
tem de desaparecer. 
O pretexto para a sua introdução nos periódicos literários
foi que se destinava a proteger os críticos honestos
da ira dos autores e seus patronos.
Mas, para cada um desses casos,
há uma centena deles em que serve apenas para
conceder total irresponsabilidade aos críticos
que seriam incapazes de defender aquilo que escreveram,
ou mesmo para ocultar a vergonha 
daqueles tão venais e abjectos que recomendam 
livros ao público em troca de uma gorjeta dos editores.
Também é frequente servir apenas para encobrir
a falta de clareza, a incompetência e a insignificância
do crítico. É inacreditável a impudência de que estes sujeitos
são capazes, a que ponto não se coíbem deste logro literário,
desde que se sintam seguros na sombra do anonimato.
Já dizia Rousseau no prefácio de La Nouvelle Héloïse: 
Tout honnête homme doit avouer les livres qu'il publie
o que significa: «Todos os homens honestos
devem apor o seu nome àquilo que escrevem»
(...)





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